O Agosto Lilás é um mês dedicado à conscientização no combate à violência contra a mulher, instituído em referência à sanção da Lei Maria da Penha, em agosto de 2006. Este ano, porém, a campanha ganha um peso ainda mais sombrio em Mato Grosso do Sul.
Entre janeiro e agosto de 2025, já foram registrados 21 feminicídios no Estado, o equivalente a cerca de três mulheres assassinadas por mês, um retrato brutal de que a simbologia precisa vir acompanhada de ação.
Veja o quadro alarmante da violência no Estado:
• Violência doméstica: em 2025, cerca de 56 mulheres por dia foram vítimas desse tipo de violência, com quase 3 mil casos em poucos meses;
• Comparativo com 2024: já houve 35 feminicídios ao longo do ano passado, o que representou um aumento de 15,7% em relação a 2023 — taxa de 2,4 mortes por 100 mil mulheres, a segunda mais alta do país;
• Feminicídios até julho de 2025: o Anuário de Segurança reportou 17 casos até então, com 64% das vítimas sendo negras e 64% mortas dentro de casa — reforçando o padrão da violência doméstica;
• Casos emblemáticos: Vanessa Ricarte, morta em fevereiro após ter denunciado seu ex-noivo e receber proteção falha, tornou-se símbolo do descaso institucional.
Não se trata apenas de estatísticas: são vidas arrancadas, famílias despedaçadas, comunidades traumatizadas. O número de feminicídios em Mato Grosso do Sul, apesar de menor que em estados mais populosos, carrega peso desproporcional pela alta taxa proporcional e pelo alto grau de impunidade.
O que precisa mudar — e já!
Ações efetivas, não simbólicas: a campanha Agosto Lilás deve ultrapassar o simbolismo e pressionar por ações concretas, principalmente no fortalecimento da rede de proteção; implementar protocolos com urgência: o projeto de lei que cria protocolo de enfrentamento ao feminicídio no Estado (PL 27/2025) é uma luz nesse cenário. Ele prevê acolhimento emergencial, integração entre saúde, segurança e assistência e ação imediata após denúncias; Educação contínua e capacitação: o PL 50/2025 busca institucionalizar a capacitação permanente de profissionais nas áreas de educação, saúde e segurança para lidar com violência de gênero — cruzar essa linha é imprescindível; Cobrança clara e firme à sociedade e ao poder público: não podemos aceitar omissão. Quem agride ou negligencia não pode continuar impune ou em cargos de poder.
O Agosto Lilás deve ser um estopim, uma convocação para que nenhuma mulher mais seja mais uma estatística. Cada número oculto por trás do “21 feminicídios em 2025” é uma mãe, filha, irmão, amiga. E lamentavelmente, ainda são muitas. A simbologia é urgente, mas é ação que salva vidas!
Olga Cruz





