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Vírus Nipah – A ameaça silenciosa que desafia a saúde global

O mundo volta seus olhos para o estado de Bengala Ocidental, na Índia, onde a confirmação de novos casos do vírus Nipah (NiV) acendeu o alerta das autoridades sanitárias. Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um patógeno prioritário devido ao seu potencial epidêmico e à falta de tratamentos específicos, o Nipah é conhecido por sua agressividade e alta taxa de letalidade.

O Cenário Atual (Janeiro de 2026)

Até o momento, foram confirmados dois casos em enfermeiros de um hospital particular em Barasat, Bengala Ocidental. O governo indiano e a OMS informaram que cerca de 200 contatos próximos foram monitorados e testados, apresentando resultados negativos. Embora o risco de uma pandemia global seja considerado baixo por especialistas, o incidente reforçou a necessidade de vigilância em aeroportos de países vizinhos, como Tailândia e Cingapura.

O Que é o Vírus Nipah?

O Nipah é um vírus zoonótico (transmitido de animais para humanos) da família Paramyxoviridae. Ele foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia e em Cingapura. Seu reservatório natural são os morcegos frugívoros (raposas-voadoras) do gênero Pteropus.

Formas de Transmissão

A propagação do vírus ocorre de três maneiras principais:

  • Contato Direto: Com secreções (urina, saliva ou sangue) de animais infectados, como morcegos e porcos.
  • Alimentos Contaminados: Consumo de frutas ou seiva de palmeira que tiveram contato com fluidos de morcegos infectados.
  • Humano para Humano: Através de contato próximo e desprotegido com fluidos corporais de uma pessoa doente, comum em ambientes hospitalares ou familiares.

Sintomas e Evolução Clínica

A infecção pelo Nipah é particularmente perigosa porque pode progredir de um quadro gripal simples para complicações neurológicas graves em questão de horas.

FaseSintomas Principais
Inicial (4 a 14 dias)Febre, dor de cabeça, dor muscular, vômitos e dor de garganta.
AvançadaTontura, sonolência, alteração de consciência e sinais de encefalite aguda.
CríticaConvulsões, pneumonia atípica, coma e insuficiência respiratória.

Nota: A taxa de letalidade estimada varia entre 40% e 75%, dependendo da capacidade de suporte médico local. Além disso, cerca de 20% dos sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas permanentes, como convulsões e alterações de personalidade.

Existe Tratamento ou Vacina?

Até janeiro de 2026, não existe vacina aprovada nem medicamento específico para curar a infecção pelo vírus Nipah. O manejo médico é focado em cuidados de suporte intensivo para tratar os sintomas respiratórios e neurológicos. Em março de 2025, o vírus foi designado como patógeno de alta prioridade para investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Prevenção e Cuidados

Para quem vive ou viaja para áreas com histórico do vírus, as recomendações são claras:

  1. Higiene: Lavar as mãos frequentemente com água e sabão após visitar doentes ou lidar com animais.
  2. Segurança Alimentar: Lavar bem e descascar frutas antes do consumo. Evitar frutas com sinais de mordidas de animais.
  3. Evitar Áreas de Risco: Manter distância de locais onde morcegos costumam se abrigar.
  4. Isolamento: Casos suspeitos devem ser isolados imediatamente com o uso rigoroso de EPIs pelos profissionais de saúde.

Olga Cruz

*Com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO): Dados sobre a lista de patógenos prioritários para Pesquisa e Desenvolvimento (R&D Blueprint) e fichas técnicas sobre taxas de letalidade e sintomas. Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC – EUA): Informações sobre o ciclo de transmissão (morcego-animal-humano) e diretrizes de diagnóstico laboratorial. E Gavi, a Aliança das Vacinas: Relatórios sobre o progresso de candidatos a vacinas e o risco de transbordamento zoonótico (spillover).

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