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Agosto Lilás começa com mais de 12 mil vítimas de violência doméstica e 19 feminicídios em MS

Casos de violência doméstica contra mulher crescem em MS (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

O início do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, traz um cenário preocupante em Mato Grosso do Sul. Dados do painel de monitoramento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que, somente em 2026, o Estado já contabiliza 12.311 vítimas de violência doméstica, além de 11.674 pedidos de medidas protetivas de urgência.

O período também é marcado por outro dado alarmante: 19 mulheres já foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano, evidenciando que a violência de gênero continua fazendo vítimas em todo o Estado.

Embora os números de 2026 sejam parciais, eles mostram que a violência doméstica permanece em níveis elevados e reforçam a importância das campanhas de conscientização e do fortalecimento da rede de proteção às mulheres.

Medidas protetivas crescem

O levantamento mostra que os pedidos de medidas protetivas vêm aumentando ao longo da última década.

Em 2016, foram registradas 9.160 solicitações. O número praticamente dobrou até atingir o recorde de 18.187 pedidos em 2025. Neste ano, até o momento, já são 11.674 solicitações.

As concessões acompanham essa tendência. Das medidas requeridas em 2026, 11.133 já foram deferidas pela Justiça, mantendo um padrão observado nos últimos anos: a maior parte das mulheres que procura o Judiciário consegue obter a proteção prevista na Lei Maria da Penha.

Outro dado que chama atenção é o crescimento das prorrogações das medidas protetivas. Quase inexistentes até 2022, elas passaram para 637 em 20231.182 em 2024, alcançaram 1.835 em 2025 e já somam 1.220 neste ano. O aumento indica que muitas vítimas permanecem em situação de risco mesmo após o prazo inicial da medida, exigindo a manutenção da proteção judicial.

Mulheres adultas são as principais vítimas

O perfil das vítimas mostra que a violência doméstica atinge principalmente mulheres em idade adulta.

A maior concentração dos casos ocorre entre mulheres de 30 a 59 anos, seguida pela faixa de 18 a 29 anos. Casos envolvendo adolescentes, crianças e idosas aparecem em proporções significativamente menores.

Quanto à raça/cor, a maioria das vítimas registradas é composta por mulheres pardas (110.779), seguidas por brancas (55.774) e pretas (9.024). O painel também contabiliza vítimas indígenas, amarelas e registros sem informação.

Violência acontece dentro de casa

Os dados reforçam uma característica já conhecida da violência doméstica: o agressor, na maioria das vezes, mantém ou manteve vínculo afetivo com a vítima.

Os cônjuges lideram os registros, com 41.367 ocorrências, seguidos pelos conviventes, que somam 22.688 casos. Também aparecem pais, filhos, namorados, irmãos, cunhados, genros, noras e sogros entre os autores das agressões.

O cenário demonstra que a violência ocorre predominantemente no ambiente familiar ou dentro de relacionamentos afetivos, tornando ainda mais importante a denúncia e o acesso rápido às medidas de proteção.

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