Esta é a terceira vez que onça-pintada invade a cidade e mata animal doméstico / Foto: Arquivo
A população de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, está apreensiva com a frequência da aparição de onças nos terrenos das casas, especialmente quem vive próximo a rodovia Ramon Gomes, que liga a cidade à fronteira com a Bolívia. A aparição mais recente ocorreu na noite desse sábado (8) no quintal de uma casa. Uma onça-pintada atacou e comeu um cachorro da família.
Gerson de Souza Alves relatou que a família tinha acabado de chegar de uma festa da igreja a noite. Cerca de minutos depois, o ataque ao cão aconteceu e câmeras registraram.

A onça vem se rastejando, já com o instinto de caça, passa por debaixo de uma cerca e ataca o cachorro. Outros animais percebem, correm, mas a onça é mais rápida e carrega o cão para a mata. O ataque é percebido pela família, que não aparece no vídeo, mas que se desespera com a proximidade do felino.
A Polícia Militar Ambiental (PMA) foi acionada.
De junho para cá, é a terceira vez que os moradores desta região flagram uma onça tão perto das casas. E tem uma escola ali perto. É uma área que dá acesso à Bolívia, muito movimentada, fica perto de um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também.
A presença das onças na cidade tem sido cada vez mais comum, impactando a rotina da população. Em maio, a pintada que rondava a região do Dom Bosco, mirante da Capivara, foi capturada após matar uma cachorrinha também. Uma operação foi montada para o resgate e foi feita a soltura dela na Serra do Amolar. Ela foi chamada de Corumbella.
A operação de captura da onça-pintada envolveu 35 pessoas, todas fazem parte do grupo técnico “Onças Urbanas Corumbá-Ladário“. A força-tarefa também contou com o apoio de uma aeronave do Exército que foi usada para transportar o felino em segurança. (Primeira Página)
Caça aos felinos e a coragem de colocar o assunto em debate
A discussão sobre o manejo e até mesmo a caça controlada das onças no Brasil tornou-se um assunto extremamente difícil de ser abordado. Isso se deve, em grande parte, à atuação de centenas de ONGs que se beneficiam do discurso da preservação, vendendo uma imagem de falsa proteção enquanto ignoram a rotina de apreensão vivida pela população.
Costuma-se alegar que os animais estão apenas ocupando seu “habitat natural”, contudo, o centro urbano de Corumbá e seus bairros consolidados não são o habitat desses felinos. Além disso, a cidade praticamente não expandiu sua área urbana nos últimos 50 anos, o que desmistifica a falácia de que o espaço do Pantanal teria sido recentemente invadido pelo crescimento da cidade.
Outra narrativa é afirmar que está faltando animais que são presas para as onças, o que também não procede. Nosso Pantanal está lotado de capivaras, lontras, ariranhas, jacarés e outros animais que são presas naturais.
Enquanto entidades lucram com essa narrativa, a realidade nas ruas de Corumbá é alarmante, com registros constantes de felinos invadindo a cidade atrás de animais domésticos e colocando vidas humanas em risco.
Ontem (domingo), o caso ocorrido no trecho movimentado próximo à rodovia Ramon Gomes e a uma escola, em que a onça-pintada invadiu o quintal da casa para atacar e carregar o cão de estimação, foi o terceiro flagrante na mesma região desde junho do ano passado.
Cada dia mais, fica evidente que a segurança dos moradores e a integridade das famílias precisam entrar urgentemente no centro deste debate.
Olga Cruz





