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Preservar hoje para respirar amanhã

Por Olga Cruz

Nesta quarta-feira, 16 de setembro, o mundo celebra o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. Pode parecer uma daquelas datas que tratam de algo muito distante de nós, lá no alto da atmosfera.

Mas basta olhar com um pouco mais de atenção para perceber que falar da camada de ozônio é, na verdade, falar da nossa própria vida, do ar, do clima, da saúde, da produção de alimentos e do planeta que estamos deixando para quem vem depois de nós.

A data, lembra a assinatura do Protocolo de Montreal, em 1987, um acordo internacional criado para controlar e eliminar substâncias responsáveis pela destruição da camada de ozônio. Quase quatro décadas depois, ele permanece como uma demonstração importante de que, quando ciência, governos, empresas e sociedade caminham na mesma direção, problemas ambientais gigantescos podem, sim, ser enfrentados.

Em 2026, a ONU escolheu como tema da data “Ação global por um planeta mais fresco”, reforçando justamente a relação entre proteção da atmosfera e combate ao aquecimento global.

E talvez esteja aí uma das maiores lições deste 16 de setembro: não basta discutir sustentabilidade apenas quando o problema bate à nossa porta. Preservação exige planejamento, continuidade e, principalmente, atitude.

Em Mato Grosso do Sul, temos bons exemplos desse movimento.

O Estado assumiu a meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2030 e vem estruturando políticas para reduzir emissões e estimular uma economia de baixo carbono. Uma das iniciativas é o Roadmap Território Carbono Neutro, que leva a agenda climática também para os municípios.

Em 2026, 76 dos 79 municípios sul-mato-grossenses já haviam submetido seu Rating dentro da metodologia, enquanto 56 já contavam com Agendas Locais estruturadas. É sustentabilidade saindo do discurso e entrando no planejamento das cidades.

Aqui, também temos ferramentas de monitoramento por satélite para identificar alertas de desmatamento ilegal e focos de queimadas, permitindo uma atuação mais rápida na proteção dos nossos recursos naturais. Em um Estado que abriga biomas tão importantes e sensíveis, especialmente o Pantanal e o Cerrado, tecnologia e preservação precisam caminhar juntas.

Outro exemplo vem do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul. E isso é especialmente importante porque sustentabilidade também precisa fazer parte da administração pública.

Nos últimos anos, o TCE-MS vem incorporando essa pauta ao cotidiano da instituição. O Tribunal recebeu por três anos consecutivos o Selo A3P, concedido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima às instituições públicas que adotam práticas de responsabilidade socioambiental. Implantou energia fotovoltaica, substituiu lâmpadas fluorescentes por LED, promove ações para redução do consumo de água, energia, papel e plásticos descartáveis, criou iniciativas de coleta e destinação adequada de resíduos e adotou o Plano de Logística Sustentável.

No fim de 2025, esse compromisso ganhou ainda mais força com a instituição da Política de Sustentabilidade do TCE-MS, integrando a sustentabilidade às decisões administrativas, às contratações públicas, ao controle externo e ao próprio planejamento estratégico da Corte. É uma mudança importante de perspectiva: preservar não é uma ação paralela à gestão. É parte da boa gestão.

Talvez um dos resultados mais significativos dessa atuação esteja justamente fora dos muros do Tribunal. O trabalho desenvolvido em parceria com outras instituições e municípios contribuiu para uma profunda transformação na destinação dos resíduos sólidos em Mato Grosso do Sul.

Se há uma década cerca de 80% dos resíduos dos municípios eram descartados em lixões a céu aberto, o Panorama 2025 apontou que 96% passaram a ter destinação ambientalmente adequada. Ainda existem desafios, especialmente na coleta seletiva e nos resíduos da construção civil, mas é uma mudança que merece ser reconhecida.

Tudo isso nos mostra que grandes questões ambientais são enfrentadas também por meio de pequenas e grandes decisões tomadas todos os dias: pelo governo que planeja, pelo órgão público que dá exemplo, pelo município que melhora a gestão dos resíduos, pela empresa que reduz impactos e por cada cidadão que entende que aquilo que consome e descarta também deixa uma marca no planeta.

O Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio fala sobre o céu, mas nos convida a olhar para aquilo que fazemos aqui embaixo.

Mato Grosso do Sul tem riquezas naturais que poucos lugares no mundo possuem.

Temos o Pantanal, o Cerrado, rios, biodiversidade e uma relação muito próxima com a terra. Isso é um privilégio, mas também uma enorme responsabilidade.

Desenvolver e preservar não precisam estar em lados opostos. O grande desafio do nosso tempo é justamente provar que podemos crescer, produzir, gerar oportunidades e melhorar a vida das pessoas sem comprometer aquilo que pertence também às próximas gerações.

Porque sustentabilidade não é apenas uma palavra bonita para discursos e campanhas. É uma escolha!

E o futuro começa exatamente nas escolhas que fazemos no presente, ou seja, hoje!

Olga Cruz

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