Tudo começou com a chegada do fazendeiro e desbravador mineiro José Antônio Pereira em 21 de junho de 1872, ele veio com sua família e liderando um grupo de outras famílias mineiras, partindo de Monte Alegre, Minas Gerais, atraídos pelo potencial agropecuário da região após o término da Guerra do Paraguai.
Importante refazermos uma viagem rápida pela história, em que seus registros confirmam que José Antônio Pereira partiu com seu filho mais velho, alguns trabalhadores e ex escravos em uma caminhada que durou cerca de três meses em 1872.
Esta primeira comitiva acampou exatamente na confluência dos córregos Prosa e Segredo e ficaram fascinados pela fertilidade do solo, pelo clima ameno e pelas boas pastagens, onde imediatamente ergueram um rancho de folhas de buriti e em seguida limparam a primeira área para o plantio.
Nosso desbravador encantado com a possibilidade da fertilidade do solo e as condições favoráveis para moradia, confiou os cuidados da posse a João Nepomuceno, um morador da região, para poder retornar e buscar o restante de sua família com a promessa de retornar em até três anos
Cumprindo o combinado, José Antônio Pereira regressou em agosto de 1875, desta feita trazendo uma comitiva estruturada de 62 pessoas em 11 carros de boi, incluindo sua esposa, Maria Carolina de Oliveira, seus filhos e outros agregados.
Os carros mineiros vinham carregados de mantimentos, ferramentas, sementes e mudas variadas de café e cana-de-açúcar para iniciar a produção agrícola de subsistência.
Até hoje o Agro é importante mola propulsora do desenvolvimento da capital e de todo o estado de Mato Grosso do Sul.
Ao chegar, ele uniu forças com outro pioneiro da região, Manuel Vieira de Souza, conhecido como Manuel Olivério e juntos, organizaram as primeiras posses e traçaram os alinhamentos daquela que viria a ser a primeira rua do vilarejo, atual Rua 26 de Agosto, consolidando o Arraial de Santo Antônio de Campo Grande.
E assim evoluiu nossa capital primeiramente com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil que impulsionou o comércio e atraiu pessoas de várias regiões do país e do mundo. Posto que em maio de 1914 a primeira locomotiva chegou ao pátio da cidade, em 30 de maio de 1914, o primeiro trem de cargas circulou pelos trilhos urbanos e em outubro de 1914 a estrada de ferro se uniu aos trilhos de Bauru (SP), formando a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB).
Em 1977, com a criação do estado de Mato Grosso do Sul, Campo Grande se consolidou como o coração político e econômico sul-mato-grossense.
Nossa população é formada por pantaneiros, paraguaios, árabes, japoneses, nordestinos e paulistas.
Afinal o estado de Mato Grosso do Sul faz fronteira com países vizinhos e com larga relação comercial, tais como o Paraguai, Bolívia e Argentina, mantendo laços de amizade e trocas, inclusive, alguns hábitos assimilados e incorporados à nossa cultura, como a polca paraguaia, o tereré e o gosto pelo tango e sua sofrência, dentre outros.
Importante ressaltar, que os “filhos” de Campo Grande, sejam nativos ou de coração, carregam a fama de receber bem e de não dispensar um bom tereré no fim da tarde.
A culinária e as festas populares misturam tradições fronteiriças, músicas regionais e o som característico da viola. Celeiro de muitos artistas da música sertaneja espalhados pelo Brasil afora.
As vias largas são emolduradas por milhares de árvores que oferecem sombra no calor do cerrado. Durante a floração, os ipês colorem a paisagem de roxo, amarelo e rosa, as quaresmeiras ou paineiras que florescem em grande parte da Avenida Fernando Correa da Costa, que já tive a honra de passar para uma tela, além das mangueiras históricas que marcam a infância de muitos moradores.
Importante ressaltar ainda que a arborização abundante garante refúgio para aves silvestres e mantém o clima agradável nos parques urbanos, como o Parque das Nações Indígenas, mantendo esse clima de capital com “cara” de interior.
Dra. Iacita Azamor Pionti – Advogada e Coordenadora Municipal da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande-MS





