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A era dos rins universais — Ciência rompe barreira da incompatibilidade sanguínea

Imagem: Canva

Um dos maiores obstáculos da medicina moderna — a incompatibilidade sanguínea entre doadores e receptores de órgãos — está prestes a ser superado. Em estudos recentes que culminaram em testes pioneiros em 2025 e 2026, cientistas conseguiram utilizar enzimas específicas para transformar rins de tipos sanguíneos A ou B em órgãos do tipo O, conhecidos como “doadores universais”.

O processo ocorre em uma máquina de perfusão, que mantém o rim pulsando fora do corpo humano. Os pesquisadores, incluindo as equipes dos professores Mike Nicholson (Cambridge) e Stephen Withers (UBC), utilizam enzimas — muitas vezes derivadas de bactérias do microbioma humano — que funcionam como “tesouras moleculares”.

Essas enzimas removem os antígenos (açúcares) que ficam na superfície dos vasos sanguíneos do rim e definem se ele é do tipo A ou B. “É como remover a tinta vermelha de um carro para revelar o primer neutro por baixo”, explicou o Dr. Withers em comunicados recentes. Sem esses marcadores, o sistema imunológico do receptor não reconhece o órgão como “estrangeiro”, evitando a rejeição hiperaguda.

O Primeiro Teste em Humanos

Em outubro de 2025, um marco histórico foi atingido: pela primeira vez, um rim convertido de tipo A para tipo O foi transplantado em um modelo humano (um paciente em morte cerebral, com consentimento da família). O órgão funcionou normalmente por cerca de 48 a 60 horas.

Embora alguns marcadores tenham começado a reaparecer após o terceiro dia, a reação imunológica foi significativamente menor do que em um transplante incompatível comum. Este experimento provou que a conversão é viável e segura para o início de testes clínicos em pacientes vivos.

Impacto nas Listas de Espera

Atualmente, pacientes com sangue tipo O ou B (mais raro) esperam muito mais tempo na fila, pois só podem receber órgãos compatíveis. A capacidade de “converter” qualquer rim disponível em tipo O poderia:

  • Reduzir drasticamente o tempo de espera nas filas de transplante.
  • Aumentar a equidade, especialmente para minorias étnicas que possuem tipos sanguíneos menos comuns entre os doadores.
  • Evitar o descarte de órgãos que hoje são perdidos por falta de um receptor compatível imediato.
Etapa do ProcessoTecnologia UtilizadaResultado Esperado
CaptaçãoMáquina de PerfusãoManutenção do órgão fora do corpo.
ModificaçãoEnzimas BacterianasRemoção de açúcares (antígenos A/B).
TransplanteCirurgia PadrãoAceitação do órgão por qualquer receptor.

Próximos Passos

Os pesquisadores agora focam em estabilizar a conversão por períodos mais longos, garantindo que os antígenos não retornem rapidamente após o transplante. Com o apoio de empresas de biotecnologia como a Avivo Biomedical, os ensaios clínicos em larga escala são aguardados para os próximos dois anos, prometendo transformar o transplante de órgãos em um procedimento muito mais acessível e universal.

UBC Medicine

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