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A noite em que o silêncio se fez luz e o meu encontro com o Amado

Foto: Paróquia São Sebastião

A noite do Sábado de Aleluia, 4, caiu sobre a Paróquia São Sebastião, em Campo Grande, com um peso diferente. Não era apenas a ausência de som, mas um silêncio profundo e uma escuridão que pareciam segurar o fôlego do mundo ao redor. Ali, entre as paredes que guardam tanta fé, a comunidade se reuniu em um misto de devoção, respeito e um temor reverencial.

Exatamente às 21 horas, a escuridão foi desafiada. Deu-se início à Vigília Pascal, a celebração do triunfo absoluto do Amado. Jesus Cristo, que por amor desmedido se entregou por cada um de nós, levantava-se do sepulcro. Na glória da ressurreição, Ele venceu a morte, e nós estávamos ali para testemunhar o romper da aurora eterna!

Ao longo de três horas de uma liturgia densa e profunda, a presença viva do Cristo se fez sentir em cada rito. Nosso pároco amado, Padre Marcelo Tenório, conduziu a Solene Vigília com a maestria de quem conhece os caminhos da alma, levando os fiéis por uma jornada do luto à exultação, da sombra à luz do Círio Pascal.

Para muitos, era mais um ano de tradição. Para mim, Olga Cruz, era o portal para uma nova vida! Escrevo estas linhas com a bagagem de quem nasceu e cresceu no meio cristão-protestante, onde caminhei por 49 dos meus 51 anos de vida. Situações que não foram do acaso, e o inquietar do espírito me trouxe até aqui. Após um ano de mergulho profundo na catequese de adultos, onde me dediquei com dedicação e muito respeito, sendo aprovada com notas 10 e 9,8, nas duas avaliações escritas que tivemos, meus olhos finalmente se abriram para a plenitude da fé na Verdadeira Igreja de nosso Cristo.

Com meus filhos Raul, Artur e minha nora Ari, me apoiando com suas presenças. Vestida de branco, simbolizando a pureza da alma que se lava e se prepara para o novo, senti que aquela não era apenas uma cerimônia; era o ‘meu encontro com o Amado”. Vivi o meu Batismo, a minha Crisma e, o momento mais aguardado de décadas de busca: a minha Primeira Eucaristia.

Ah… quanta expectativa! Foram anos de uma curiosidade “santa” para saber como seria o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo transubstanciado na hóstia sagrada!

O meu corpo físico, marcado por condropatia nos dois joelhos e uma lesão no menisco direito, parecia querer impor limites. Mas a alma não conhece a dor quando está diante do Sagrado. Ignorando as recomendações médicas e o desconforto físico, ajoelhei-me. Naquele instante, o mundo desapareceu e no chão da paróquia, solo sagrado, ao receber o Corpo de Cristo, o meu sonho se materializou. Deixei de ser apenas criatura para, enfim, com toda força do Sacramento, ser chamada de – Filha de Deus!

Minha trajetória até o altar não foi isenta de lutas. Deixar para trás quase cinco décadas de uma identidade religiosa em que atuei como professora de Escola Bíblica Dominical, líder de louvor e integrante de coral, para abraçar o Catolicismo Apostólico Romano, me exigiu coragem, renúncia e uma escuta atenta à voz de Deus que sussurrava em meu peito. Houve cansaço, houve dúvidas e houve o desgaste físico, mas cada degrau subido valeu a pena para chegar até aqui!

Hoje, não sou mais uma buscadora; sou uma mulher que encontrou o seu lar. Minha vitória não reside em méritos próprios, mas na entrega total a verdade da Cruz e da Ressurreição! Saí da Vigília Pascal com o coração transbordando, sabendo que as dores dos meus joelhos são pequenas diante da magnitude de agora habitar em mim, o próprio Deus por meio de seu Santo Espírito.

Sou Olga Cruz, agora e para sempre – sou e serei católica! E, finalmente, em comunhão com os santos e com a Santa Igreja, posso dizer com a voz da alma: Ele ressuscitou e eu ressuscitei com Ele!

Olga Cruz

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