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Como identificar a infidelidade e aceitar o fim de um ciclo

Foto: Banco de imagens

A traição raramente acontece no vácuo. Ela costuma ser precedida ou acompanhada por uma mudança sistêmica na rotina do indivíduo. Segundo estudos do Gottman Institute e pesquisas publicadas no Journal of Marital and Family Therapy, os sinais mais frequentes dividem-se em três pilares: tecnologia, emocional e rotina.

No mundo moderno, a evidência mais comum é a “proteção excessiva do dispositivo”. O parceiro que antes deixava o celular sobre a mesa agora o mantém virado para baixo ou o leva para cômodos como o banheiro. Pesquisas indicam que a mudança repentina de senhas e a limpeza frequente do histórico de navegação são os primeiros indicadores relatados em 70% dos casos de infidelidade descoberta.

Alterações na Libido e na Intimidade

Contrário ao senso comum, a traição nem sempre diminui o sexo no casamento de imediato. A introdução repentina de novas práticas ou preferências sexuais sem uma conversa prévia pode indicar que o aprendizado veio de uma fonte externa. O “período refratário” emocional após a intimidade torna-se mais frio. O relaxamento e a ocitocina (hormônio do vínculo) que deveriam aproximar o casal são substituídos por uma pressa em se afastar.

Homens vs. Mulheres

Embora os gêneros estejam convergindo nos índices de traição, as motivações e sinais ainda apresentam nuances:

EvidênciaPadrão Masculino ComumPadrão Feminino Comum
Motivação PrincipalFrequentemente ligada à busca por variedade física ou validação de ego.Frequentemente ligada à busca por conexão emocional ou preenchimento de solidão.
Sinal de AlertaMudanças súbitas na aparência física (academia, perfume novo, roupas).Distanciamento emocional profundo e falta de interesse em discutir problemas da relação.
GastosSaques em dinheiro vivo ou faturas de cartão com locais desconhecidos.Mudanças na agenda social e “novas amizades” que ocupam muito tempo.

O “Instinto”

Um estudo da Brigham Young University sugere que a intuição do parceiro traído tem uma taxa de precisão alta. Isso ocorre porque o cérebro humano é treinado para detectar microexpressões e inconsistências na linguagem não-verbal. Quando o discurso não alinha com o tom de voz ou o olhar, o cérebro emite o sinal de “alerta”.

A presença de um ou dois sinais não confirma uma traição, mas a confluência de mudanças é um indicador forte. A base de qualquer evidência verídica reside na quebra da linha de base: se o comportamento habitual do parceiro mudou drasticamente sem uma explicação lógica (como estresse no trabalho ou luto), a investigação comunicativa torna-se necessária.

A transparência e o diálogo são os únicos caminhos para a resolução ou o encerramento saudável de um ciclo. A suspeita constante corrói a saúde mental de ambos.

Quando seguir em frente é o caminho mais saudável

Apesar de toda a análise de padrões e das tentativas de reconstrução, as evidências clínicas de terapeutas familiares mostram que existe um “ponto de saturação”. Nem todos os relacionamentos sobrevivem à quebra de confiança, e a ciência da felicidade indica que insistir em uma estrutura rompida pode gerar danos psicológicos severos a longo prazo.

1. O Custo da “Vigilância Constante”

Quando a infidelidade é descoberta e o casal decide tentar novamente, inicia-se um processo de recuperação exaustivo. No entanto, se após um longo período de tentativas, diálogo e terapia, a base do relacionamento — a segurança — não for restabelecida, o parceiro traído entra em um estado de hipervigilância. Esse estado mantém os níveis de cortisol (hormônio do estresse) permanentemente elevados, afetando o sistema imunológico e a capacidade cognitiva.

2. O Conceito de “Fim Bem-Sucedido”

Na psicologia moderna, um casamento que termina não é necessariamente um “fracasso”. O fracasso, muitas vezes, é a manutenção de uma convivência baseada em ressentimento, monitoramento de celulares e falta de afeto real.

  • O desfecho consciente: Quando o casal já tentou de tudo — da comunicação não-violenta ao apoio profissional — e a conexão não se reestabelece, o ato de cada um seguir o seu caminho é considerado uma decisão de autocuidado.

3. O benefício do Distanciamento

Dados sobre bem-estar emocional após o divórcio sugerem que, após o luto inicial, indivíduos que saíram de relações marcadas pela infidelidade crônica apresentam:

  • Redução significativa nos quadros de ansiedade.
  • Melhora na autoestima e na autonomia.
  • Capacidade de estabelecer novos vínculos baseados em novos termos.

A coragem de encerrar ciclos

A infidelidade deixa marcas, mas ela não precisa ser uma sentença de infelicidade eterna. O reconhecimento de que cada um seguir o seu caminho é, por vezes, a solução mais ética e compassiva permite que ambos os indivíduos busquem uma vida onde a verdade seja o pilar central.

Muitas vezes, a melhor evidência de amor-próprio e respeito pelo tempo que foi vivido juntos é saber a hora de fechar o livro para que cada um possa escrever um novo capítulo, de forma independente e em paz.

Fonte: The Gottman Institute (Pesquisas sobre estabilidade conjugal); e American Psychological Association – APA (Saúde mental e divórcio).

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