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Falta de sexo: O que a ciência diz sobre os impactos na saúde

Foto: Canva

A sexualidade humana sempre foi um terreno fértil para tabus e especulações. No entanto, nos últimos anos, a medicina evoluiu de discussões puramente reprodutivas para uma compreensão sistêmica do sexo como um pilar da saúde física e mental. Mas a pergunta permanece: o que acontece com o corpo quando a atividade sexual é interrompida por longos períodos?

1. O Sistema Cardiovascular sob Foco

A atividade sexual é, essencialmente, um exercício aeróbico moderado. Estudos publicados no American Journal of Cardiology indicam que homens que mantêm relações sexuais ao menos duas vezes por semana têm um risco significativamente menor de desenvolver doenças cardíacas em comparação com aqueles que o fazem apenas uma vez por mês.

A explicação reside na regulação hormonal. O sexo ajuda a equilibrar os níveis de estrogênio e testosterona. Quando esses hormônios estão em desequilíbrio, o risco de osteoporose e problemas cardíacos aumenta.

2. Imunidade e Resiliência Biológica

A ciência também encontrou correlações entre sexo e o sistema de defesa do corpo. Pesquisas da Universidade Wilkes (EUA) demonstraram que indivíduos com uma vida sexual ativa (1 a 2 vezes por semana) apresentam níveis até 30% mais altos de Imunoglobulina A (IgA), um anticorpo essencial para a proteção contra gripes e infecções.

3. Saúde Mental e o “Coquetel do Bem-estar”

Talvez o impacto mais imediato da abstinência seja sentido no cérebro. Durante o orgasmo, o corpo libera uma enxurrada de neurotransmissores:

  • Ocitocina: O “hormônio do amor”, que reduz o cortisol (estresse).
  • Endorfinas: Que atuam como analgésicos naturais.
  • Dopamina: Responsável pela sensação de prazer e recompensa.

A falta desses estímulos pode tornar o indivíduo mais suscetível a episódios de ansiedade e dificuldade de gerenciamento do estresse cotidiano.

4. Riscos Específicos: Próstata e Atrofia Vaginal

No campo da saúde urológica e ginecológica, a medicina aponta dados específicos:

  • Homens: Um estudo da Harvard Medical School sugere que a ejaculação frequente (pelo menos 21 vezes por mês) pode reduzir o risco de câncer de próstata.
  • Mulheres: A falta de atividade sexual a longo prazo, especialmente após a menopausa, pode levar à atrofia vaginal (afinamento das paredes vaginais), devido à redução do fluxo sanguíneo na região.

Tabela: Resumo dos Impactos Comprovados

Área AfetadaBenefício da AtividadeRisco da Abstinência Longa
CoraçãoRedução da pressão arterialMaior risco de hipertensão e infarto
ImunidadeAumento de anticorpos (IgA)Maior vulnerabilidade a vírus comuns
SonoLiberação de prolactina (indutor do sono)Possível aumento da insônia
CogniçãoEstímulo à neuroplasticidadeMenor liberação de fatores de crescimento neural

Nota: A medicina ressalta que “saúde” é um conceito amplo. Pessoas assexuais ou que optam pelo celibato não estão “condenadas” a ficar doentes. O corpo humano é adaptável, e muitos dos benefícios do sexo (como redução de estresse e exercício físico) podem ser obtidos através de outras atividades, como esportes, meditação e conexões sociais profundas.

*Estudo publicado por The Journal of Sexual Medicine.; Harvard Medical School (Men’s Health Watch).

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