O governo irlandês está oferecendo incentivos de até 70 mil euros (equivalente a R$ 454,8 mil) para quem decidir se mudar para uma das ilhas isoladas localizadas na costa oeste do país.
O programa “Our Living Islands” foi oficialmente retomado no final de junho de 2025 pelas autoridades da Irlanda. Trata-se de uma iniciativa iniciada em junho de 2023, com duração prevista até 2033, cujo propósito central é frear o êxodo populacional e promover o repovoamento das ilhas costeiras de baixa densidade demográfica por meio de benefícios financeiros para novos residentes.
Embora não restrita a cidadãos irlandeses, a iniciativa exige que os candidatos tenham o direito de residir legalmente no país — seja por cidadania, visto de residência válida ou outro mecanismo reconhecido pela imigração irlandesa.
A política migratória, no entanto, não é alterada por conta do programa, ou seja, os interessados devem atender às regras de imigração já existentes.
Regiões contempladas

Dentre as 23 ilhas elegíveis no programa, estão Aran (incluindo Inis Mór), Clare Island, Dursey, Inishturk, Inishbofin, Bere e outras. A população combinada dessas ilhas era estimada em aproximadamente 2.734 habitantes em 2016. Com paisagens costeiras impressionantes e um estilo de vida mais rústico, algumas dessas ilhas já serviram como cenário para filmes premiados, como “Os Banshees de Inisherin”, indicado ao Oscar.
A política tem como meta preservar comunidades vibrantes e sustentáveis nessas regiões remotas. Entre os objetivos estão o fortalecimento da cultura local, o estímulo a novas atividades econômicas e a melhoria da infraestrutura e das condições de moradia.
Critérios e funcionamento
Os recursos financeiros disponibilizados pelo governo são destinados exclusivamente à reforma de imóveis localizados nas ilhas. Assim como em projetos semelhantes na Europa, como as “casas por 1 euro”, as propriedades oferecidas costumam estar em estado precário e exigem investimentos em obras de reabilitação.
Os subsídios só podem ser utilizados para residências permanentes. Não é permitido o uso para casas de veraneio ou aluguel de temporada. O novo morador deve habitar o imóvel como residência principal ou disponibilizá-lo para locação de longo prazo, de acordo com as normas estabelecidas pelas autoridades locais.
Valores e elegibilidade

O valor do bônus pode chegar a até 50 mil euros (R$ 324,9 mil) para imóveis desocupados. Caso o imóvel esteja abandonado e necessite de reformas mais extensas, o valor pode ser acrescido em até 20 mil euros (R$ 129,95 mil), totalizando os 70 mil euros ofertados.
Para se qualificar, o imóvel deve ter sido construído antes de 2007, estar desocupado há pelo menos dois anos e estar localizado em uma das ilhas contempladas pelo programa. É necessário comprovar a intenção de aquisição ou posse formal do imóvel, bem como apresentar documentação que comprove regularidade fiscal.
Uma das condições estabelecidas pelo governo é que o proprietário resida ou mantenha o imóvel alugado por pelo menos dez anos antes de vendê-lo. Caso essa exigência não seja cumprida, o beneficiário será obrigado a devolver integralmente o valor do incentivo recebido.
Adesão e candidatura
Até março de 2025, o governo da Irlanda havia recebido 35 inscrições para participar do programa. Dentre essas, 22 já foram aprovadas.
Os interessados em se candidatar devem preencher o formulário disponível no site oficial do governo, onde também constam informações detalhadas sobre cada ilha, os critérios de elegibilidade e as regras específicas do incentivo.
Perfil de participantes
Embora os dados detalhados dos candidatos não sejam divulgados publicamente, há relatos de crescente interesse por parte de estrangeiros, especialmente de pessoas buscando um estilo de vida mais simples, conectado à natureza e com possibilidade de trabalho remoto. Famílias jovens, aposentados e profissionais autônomos estão entre os perfis mais comuns.
Boa parte dos candidatos demonstra interesse em reconstruir imóveis antigos, investir em turismo local ou abrir pequenos negócios, contribuindo para o desenvolvimento sustentável das comunidades.
Também há casos de descendentes de irlandeses que desejam se reconectar com suas raízes e construir uma vida nas ilhas onde seus antepassados viveram.
Fonte: O Segredo





