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O fim da “fase da paixão”, a transição química no cérebro que todo casal enfrenta

A fase da paixão, também conhecida como “lua de mel”, é um período mágico marcado por intensa euforia, desejo avassalador e foco quase obsessivo no parceiro.

Nesse estágio inicial do relacionamento, o cérebro é inundado por um coquetel de substâncias químicas, como dopaminanorepinefrina e feniletilamina, responsáveis pela sensação de prazer, energia e excitação constante. O mundo parece mais vibrante, os problemas diminuem e a conexão com o outro é vivenciada com uma intensidade ímpar.

Essa explosão hormonal cria uma espécie de “idealização” do parceiro, onde seus defeitos são minimizados ou ignorados. Nos sentimos profundamente conectados, como se tivéssemos encontrado nossa “alma gêmea”.

É importante entender que essa fase é passageira, com duração variável de alguns meses a poucos anos, e sua natureza efêmera não invalida a profundidade dos sentimentos experienciados.

A ciência da paixão: neurotransmissores e o cérebro apaixonado

Mas o que, exatamente, acontece em nosso cérebro durante essa fase de paixão avassaladora? A resposta está nos neurotransmissores, mensageiros químicos que regulam diversas funções do nosso corpo, incluindo o humor, o sono e, claro, o amor.

Confira os principais neurotransmissores envolvidos:

  • Dopamina: principal neurotransmissor associado ao prazer e à recompensa, criando a sensação de euforia e o desejo intenso de estar perto do parceiro;
  • Norepinefrina: contribui para a energia, o foco e a atenção constantes no amado;
  • Feniletilamina: provoca a sensação de “borboletas no estômago” e excitação, com efeitos semelhantes aos das anfetaminas.

Essa combinação neuroquímica cria um circuito de recompensa no cérebro, reforçando o comportamento de busca pela proximidade com o parceiro. É como se o cérebro estivesse “viciado” no amor. Compreender esse mecanismo biológico nos ajuda a entender por que a paixão é tão intensa e, ao mesmo tempo, passageira, pavimentando o caminho para um amor mais maduro e duradouro.

A transição: do fogo da paixão às brasas do amor

Com o tempo, a tempestade neuroquímica da paixão começa a se acalmar. Os níveis de dopamina, norepinefrina e feniletilamina se regulam, e a euforia inicial dá lugar a uma sensação de calma e conforto. Essa transição, embora possa ser assustadora para alguns, é natural e essencial para o desenvolvimento de um amor mais profundo e estável.

À medida que a idealização se dissolve, passamos a enxergar o parceiro com mais clareza, com suas virtudes e imperfeições. A intimidade se aprofunda, a confiança se solidifica e o vínculo afetivo se fortalece. Novos neurotransmissores entram em cena:

  • Ocitocina: promove apego, segurança e conexão duradoura;
  • Vasopressina: associada à monogamia e estabilidade relacional.

A paixão, como o fogo intenso, se transforma nas brasas acolhedoras do amor maduro.

Desafios e oportunidades na fase de transição

A transição da paixão efervescente para o amor companheiro apresenta desafios únicos. A diminuição da euforia inicial pode gerar insegurança, levando alguns a questionarem o futuro do relacionamento.

A percepção mais realista do parceiro, com suas falhas e manias, exige adaptação e comunicação. Conflitos, antes inexistentes sob o véu da idealização, emergem, testando a capacidade do casal de lidar com as diferenças.

Contudo, essa fase também traz consigo valiosas oportunidades:

  • Calmaria hormonal permite construção de intimidade genuína;
  • Confiança e respeito mútuo se tornam pilares do relacionamento;
  • Aceitação das imperfeições fortalece o vínculo;
  • Desafios superados criam um amor mais maduro e resiliente.

Superar os desafios da transição representa um passo crucial para viver um relacionamento profundo, sólido e duradouro. O amor se transforma em algo menos impulsivo e mais consciente, permitindo ao casal criar uma base emocional segura e saudável.

Construindo um amor duradouro: cultivando companheirismo e intimidade

Superada a fase inicial da paixão, a construção de um amor duradouro requer o cultivo consciente do companheirismo e da intimidade. Isso significa investir em momentos de qualidade juntos, compartilhando experiências, interesses e sonhos.

Algumas práticas importantes nesse processo incluem:

  • Comunicação aberta e honesta: cria um espaço seguro para expressar sentimentos, necessidades e expectativas;
  • Demonstrações de carinho e apoio emocional;
  • Compreensão mútua: ouvir com atenção, valorizar vulnerabilidades e celebrar conquistas;
  • Construção da confiança e do respeito mútuo.

Cultivar a intimidade vai além da esfera física. Envolve empatiacuidado e presença emocional. É aprender a crescer juntos, transformando os desafios em oportunidades de evolução e fortalecimento do vínculo.

Construir um amor sólido é um processo contínuo que exige esforço e dedicação de ambas as partes. É abraçar as imperfeições, valorizar as diferenças e manter a parceria viva, mesmo diante das adversidades do cotidiano.

Mantendo a chama acesa: dicas práticas para reavivar a paixão

paixão, mesmo após a fase inicial, pode ser cultivada e reacendida com pequenas atitudes no dia a dia. Surpreender o parceiro com um gesto carinhoso, um bilhete romântico ou um presente inesperado pode reacender a chama do desejo e da conexão emocional.

Outras ações eficazes para manter a paixão viva incluem:

  • Planejar momentos a dois, como jantares especiais, passeios diferentes ou viagens românticas;
  • Investir em novidades e explorar interesses em comum, como aprender algo novo juntos ou experimentar novas atividades;
  • Estimular o toque físico, como abraços, beijos e carinhos, que liberam ocitocina e reforçam o vínculo;
  • Expressar admiração e gratidão pelo parceiro, reconhecendo suas qualidades e verbalizando os sentimentos.

Lembre-se: são os pequenos gestos diários que mantêm a paixão viva. Demonstrar afeto, se abrir emocionalmente e buscar constantemente novas formas de conexão são atitudes que alimentam o amor e a cumplicidade.

A rotina e os desafios da vida a dois não precisam ser inimigos da paixão. Pelo contrário: quando há intencionalidade e cuidado mútuo, o relacionamento pode se tornar ainda mais vibrante com o tempo. A chama, mesmo baixa, pode sempre ser reacendida.


jornada do amor, da paixão efervescente ao amor companheiro, é uma experiência profundamente transformadora. Compreender a dança dos neurotransmissores e as mudanças naturais de cada fase nos permite navegar por esse território emocional com mais consciência e sabedoria.

Aceitar a transitoriedade da paixão inicial não significa o fim do romance, mas sim a abertura para um amor mais profundo, resiliente e duradouro. A chama intensa se transforma em brasas acolhedoras, prontas para aquecer e iluminar o caminho compartilhado.

Para manter o amor vivo, é fundamental cultivar:

  • Intimidade emocional;
  • Comunicação clara e respeitosa;
  • Companheirismo constante;
  • Admiração e gratidão diárias.

O amor, em sua essência, é uma construção contínua. Uma dança delicada entre paixão e companheirismo, que se renova e se fortalece a cada dia. Para viver um relacionamento forte e duradouro, é essencial compreender e respeitar cada etapa dessa jornada — desde a euforia inicial até a sólida construção de um companheirismo que resiste ao tempo.

O Segredo

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