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Os ressentimentos ocultos que destroem relacionamentos longos

Getty Imagens

Esta é uma pauta profunda e necessária, pois toca em um fenômeno que psicólogos costumam chamar de “erosão silenciosa”. Diferente das brigas explosivas, o ressentimento em relações longas age como uma infiltração que compromete a estrutura sem fazer barulho.

Muitos casais acreditam que a ausência de brigas é o maior indicador de uma relação saudável. No entanto, especialistas em comportamento alertam para um perigo muito mais sutil: o ressentimento acumulado. Ao contrário do conflito aberto, o ressentimento é uma mágoa “cozinhada em fogo baixo”, que não se manifesta em gritos, mas no distanciamento emocional e na perda da admiração.

O que São os ressentimentos ocultos?

O ressentimento em relações de longa data raramente nasce de um grande evento traumático. Ele é alimentado pelas “pequenas negligências” do dia a dia. É a sensação de que um dos parceiros carrega mais carga (mental ou física) que o outro, ou a percepção de que certas necessidades emocionais foram ignoradas repetidamente ao longo de décadas.

Os principais “gatilhos” ocultos incluem:

A Carga Mental Não Dita: Sentir-se o único responsável por gerir a vida do casal ou da família.

O “Engolir Sapos” pela Paz: Evitar confrontos para manter a harmonia doméstica, o que gera uma dívida emocional interna.

A Falta de Validação: Quando as conquistas ou dores de um parceiro passam a ser tratadas como “paisagem” pelo outro.

Em relacionamentos longos, o cérebro tende a criar um inventário de dívidas. O parceiro ressentido começa a olhar para o passado através de uma lente negativa, onde cada esquecimento ou palavra mal dita se torna uma prova de desamor.

“O ressentimento é como beber veneno e esperar que a outra pessoa morra”, diz o ditado popular frequentemente citado na psicologia. No casamento, esse veneno paralisa a intimidade.

Sinais do ressentimento oculto

Identificar esse sentimento antes que ele se torne irreversível é crucial. Os sinais mais comuns são: Sarcasmo e Ironia: Críticas disfarçadas de piadas constantes. Indiferença: Quando você para de se importar em compartilhar seus sentimentos porque “ele(a) não vai entender mesmo”. A “Contabilidade” de Erros: Trazer à tona falhas de cinco ou dez anos atrás durante uma discussão atual.

A boa notícia é que o ressentimento pode ser dissolvido, mas exige o que os terapeutas chamam de “faxina emocional”.

É necessário admitir a mágoa sem atacar o outro. Em vez de “Você sempre me ignora”, tente “Eu me sinto invisível quando minhas sugestões não são ouvidas”. Perdoar não é esquecer, mas decidir que a mágoa do passado não terá mais poder sobre o presente. Relacionamentos longos precisam de atualizações de contrato. O que funcionava há 10 anos pode não funcionar hoje.

*O amor em longo prazo não é apenas sobre a paixão inicial, mas sobre a capacidade de limpar o entulho emocional que o tempo deposita no caminho. Reconhecer que o ressentimento existe é o primeiro passo para impedir que ele transforme dois parceiros em dois desconhecidos dividindo a mesma casa.

Forbes

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