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Por que o mau humor dos outros nos contagia mais que a felicidade?

Alguns dias parecem começar bem: acordamos com energia, foco e disposição para encarar as tarefas cotidianas. No entanto, o contato com pessoas negativas ou visivelmente irritadas pode alterar completamente esse estado de ânimo. Segundo especialistas, isso acontece porque as emoções negativas são altamente contagiosas e afetam diretamente o nosso equilíbrio emocional.

Sociedade Internacional de Profissionais do Uso de Substâncias (ISSP) explica que o chamado contágio emocional refere-se à habilidade humana de influenciar e ser influenciado pelas emoções dos outros — de maneira direta ou indireta.

A própria palavra “contágio” vem da ideia de transmissão, seja por atitudes verbais, expressões faciais ou até mesmo posturas corporais.

Apesar de o termo ter uma conotação muitas vezes negativa, o contágio emocional pode ser tanto destrutivo quanto construtivo. Nosso cérebro se molda às emoções de quem nos cerca, o que permite que a convivência social se torne mais harmoniosa.

Contudo, esse mesmo mecanismo que promove empatia também pode nos tornar vulneráveis a ambientes emocionalmente desgastantes. A seguir, exploramos como isso acontece e o que você pode fazer para manter seu equilíbrio emocional mesmo cercado por tensões.

O cérebro aprende com o que sente

O contágio emocional ocorre porque o cérebro humano é treinado para observar e responder aos estímulos sociais. Os neurônios-espelho, identificados por neurologistas, são os responsáveis por esse tipo de aprendizado emocional.

Eles são ativados quando observamos alguém expressar emoções — como tristeza, raiva ou alegria — e automaticamente replicam internamente essas sensações.

Isso explica por que algumas pessoas são mais suscetíveis que outras. A exposição repetida a certos comportamentos ou emoções pode alterar nosso humor de forma quase imperceptível.

Algumas personalidades absorvem esses estímulos com mais facilidade, o que pode gerar variações de humor inesperadas e até crises de ansiedade em ambientes tensos.

Emoções negativas causam maior impacto

Estudos de referência como os de Hatfield et al. (1994) e Daniel Goleman (1996) indicam que emoções como medo, raiva e tristeza exercem um impacto mais profundo do que emoções positivas.

Essas sensações ativam a amígdala — uma estrutura cerebral ligada ao processamento do medo —, gerando uma reação de alerta automático no organismo.

Esse processo desencadeia uma série de efeitos físicos, como o aumento do nível de cortisol, responsável pelo estresse, e a tensão muscular contínua.

Em ambientes negativos, como locais de trabalho com clima hostil ou dinâmicas familiares conflituosas, absorver esse tipo de energia pode rapidamente desestabilizar quem inicialmente estava bem.

O lado prejudicial dos neurônios-espelho

Embora esses neurônios tenham papel essencial na criação de laços sociais, também representam um risco quando o ambiente se torna emocionalmente tóxico. Isso acontece porque, sem perceber, adotamos o padrão emocional do grupo, ainda que ele não corresponda ao que realmente sentimos.

Ambientes dominados por reclamações, julgamentos ou explosões emocionais ativam esse mecanismo de forma prejudicial, tornando comum o “carregamento” de sentimentos que nem sempre são nossos. A longo prazo, isso pode comprometer a saúde mental e afetar a capacidade de manter relacionamentos saudáveis.

Como se proteger do contágio emocional

Com base em pesquisas e diretrizes da ISSP, especialistas recomendam estratégias para reduzir o impacto das emoções alheias e fortalecer o autocontrole emocional.

Entre elas:

  • Esteja consciente do momento: ao sentir uma emoção forte diante de alguém, pergunte-se: “Isso é meu ou estou apenas reagindo ao que vejo no outro?” Essa pausa ajuda a diferenciar o que é genuíno do que é absorvido.
  • Finja até sentir: sorrir, mesmo em dias difíceis, ativa memórias faciais associadas à felicidade. Esse exercício físico pode, com o tempo, estimular emoções mais positivas em você e nos outros ao redor.
  • Procure apoio profissional: se você percebe que absorve com facilidade o sofrimento dos outros, talvez seja hora de buscar acompanhamento psicológico. Um profissional pode ajudá-lo a identificar gatilhos e desenvolver ferramentas de enfrentamento mais saudáveis.

Uma ferramenta que pode ser aliada

Embora as emoções negativas tenham um poder de influência maior, o contágio emocional também pode ser um aliado. Quando administrado com consciência, ele se torna uma ponte para a empatia, a colaboração e o fortalecimento de vínculos autênticos.

O segredo está em reconhecer os limites entre você e o outro, usando o contágio a favor do bem-estar coletivo — e não como uma fonte constante de desgaste. Aprender a identificar essas fronteiras emocionais pode ser o primeiro passo para uma vida mais equilibrada, leve e conectada.

Fonte: O Segredo

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