A abertura do 4º Congresso de Municípios, promovido pela Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), foi marcada por discussões profundas sobre o Pacto Federativo e a sustentabilidade financeira das gestões locais. O principal destaque da abertura do evento foi o pronunciamento feito pelo ex-governador e atual presidente do PL-MS, Reinaldo Azambuja, que foi aclamado e recebeu o reconhecimento unânime dos gestores públicos por ter consolidado o municipalismo como marca de sua gestão no Estado.
Em um discurso incisivo, Reinaldo direcionou duras críticas à distribuição de receitas e ao inchaço do Governo Federal, apontando que Brasília arrecada muito e gasta de forma ineficiente.
“O Governo Federal gasta mal, gasta com atividade-meio e não na atividade-fim, que é chegar com o recurso aonde moram as pessoas. E as pessoas vivem e têm suas demandas no município”, afirmou o ex-governador.

Um dos pontos mais alarmantes tocados por Azambuja foi o subfinanciamento crônico da saúde pública. Segundo o líder do PL, enquanto a participação federal diminuiu nas últimas décadas, o peso sobre os prefeitos disparou.
“O município gastava 25% do orçamento no setor. Hoje, a média do que vocês gastam em saúde está em 34%. Se não houver transferência de recursos, daqui a uns dias os municípios terão que empenhar 40% do seu orçamento em saúde, e isso é o colapso total”, alertou.
Reinaldo também criticou a aprovação de pisos salariais nacionais por parte do Congresso e do Executivo Federal sem a devida contrapartida financeira para os entes locais, classificando a prática como irresponsável.
“Não tem almoço grátis. Alguém paga a conta. E quem está pagando a conta do desmando que está acontecendo no Brasil hoje são vocês, os municípios brasileiros, que não têm mais condições de atender o básico. Precisamos diminuir o tamanho dessa máquina pública, que está gigantesca e consome o dinheiro pago por todos”, disparou.
Senado
Liderando todos os cenários das pesquisas na corrida eleitoral em 2026 para o Senado, o ex-governador deixou clara sua intenção de levar essa bandeira para o Congresso Nacional.
“Eu vou lutar porque já fui um governador municipalista. E quero, estando no Senado, ser um senador municipalista que ajude a cuidar dos municípios como nós cuidamos quando governamos o Mato Grosso do Sul”.
Pressão Econômica e a “Névoa” Tributária
O presidente da Assomasul, Thalles Thomazelli, endossou as palavras de Reinaldo Azambuja e destacou que os municípios representam o elo mais frágil da federação. Thomazelli demonstrou extrema preocupação com o cenário de incertezas gerado pelas recentes reformas fiscais nacionais.

“Ainda estamos em uma transição tributária muito firme, com uma névoa que temos que enfrentar pela frente. É nesse contexto que vemos um distanciamento do recurso público em nível nacional. Essas imposições vêm como uma avalanche”, declarou o presidente da Assomasul, que também aproveitou a oportunidade para agradecer o compromisso de Reinaldo por conhecer detalhadamente a realidade da ponta e valorizar os servidores públicos municipais, fundamentais para a execução das políticas públicas.
Olga Cruz





