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Pontualidade ou atraso? Sua relação com o tempo pode revelar mais do que você imagina

Diferentes percepções de tempo, como a pontualidade britânica versus a flexibilidade brasileira, podem causar conflitos

Discussões sobre pontualidade não envolvem apenas horários, mas refletem diferentes formas de perceber e administrar o tempo.

A forma como cada indivíduo lida com compromissos pode se tornar um ponto de atrito em relacionamentos pessoais e profissionais, revelando contrastes profundos entre estilos culturais e comportamentais.

Segundo pesquisadores, existem dois estilos predominantes de uso do tempo: o monocrônico e o policrônico. Esses termos foram popularizados na década de 1950 pelo antropólogo Edward T. Hall, que observou essas distinções culturais em sociedades ao redor do mundo.

Enquanto culturas monocrônicas — como as dos Estados Unidos, Alemanha e norte da Europa — valorizam pontualidade, sequência de tarefas e estrutura, as culturas policrônicas — como as da América Latina, Oriente Médio e África — tendem a ser mais flexíveis, com valorização das relações humanas sobre o relógio.

Como cada estilo se manifesta

Pontualidade Ou Atraso? Sua Relação Com O Tempo Pode Revelar Mais Do Que Você Imagina

Direitos autorais: Reprodução / Canva

Pessoas com estilo monocrônico encaram o tempo de forma linear. Elas costumam seguir uma lista de tarefas e prezar pela pontualidade como sinal de respeito.

Segundo Allen Bluedorn, professor emérito da Universidade do Missouri, esse estilo considera interrupções como obstáculos à produtividade. No ambiente de trabalho, isso se traduz em concentração intensa e foco na finalização de tarefas sem desvios.

“Uma interrupção, quase por definição, é irritante”, afirma Bluedorn.

Por outro lado, o estilo policrônico privilegia relações humanas e flexibilidade. Pessoas com esse perfil tendem a alternar tarefas, adaptar a rotina a interações sociais e reavaliar prioridades diante de experiências significativas. De acordo com a pesquisadora Dawna Ballard, da Universidade do Texas em Austin, esse comportamento não deve ser visto como irresponsabilidade, mas como uma forma diferente — e válida — de administrar o tempo.

“Se você tende a se atrasar porque está tentando encaixar as necessidades de várias pessoas no seu dia, você é policrônico”, explica Ballard.

Impactos na produtividade e no convívio

Pontualidade Ou Atraso? Sua Relação Com O Tempo Pode Revelar Mais Do Que Você Imagina

Direitos autorais: Reprodução / Canva

Estudos mostram que pessoas rendem mais quando conseguem trabalhar de acordo com seu estilo natural de tempo. Os monocrônicos tendem a ser eficientes em ambientes que exigem organização e prazos rígidos. Já os policrônicos se destacam em contextos que demandam adaptação constante e múltiplas interações simultâneas.

Um exemplo citado por Ballard em suas pesquisas envolve controladores de tráfego aéreo, que demonstram habilidades policrônicas excepcionais ao coordenar diversas informações em tempo real. Essa flexibilidade também contribui para uma visão mais realista sobre a imprevisibilidade da vida.

“Um dos benefícios é que você tem uma visão mais realista da vida, e por isso não se frustra quando as coisas não seguem o planejado”, afirma Ballard.

No entanto, o estilo policrônico também tem suas desvantagens. A facilidade em mudar de tarefa pode levar à procrastinação e dificuldade em concluir projetos. Já o excesso de rigidez do monocrônico pode reduzir a espontaneidade e causar frustração diante de mudanças inesperadas.

Adaptação é a chave para o equilíbrio

De acordo com Mara Waller, pesquisadora da Universidade Estadual do Colorado, os estilos de uso do tempo não são traços fixos.

Embora cada pessoa tenha uma tendência dominante, é possível desenvolver estratégias para se adaptar conforme o contexto. Essa flexibilidade pode melhorar a convivência e aumentar a eficácia em ambientes diversos.

“Seu objetivo aqui é construir relacionamentos? Então, seja policrônico. Se o objetivo é concluir uma tarefa, então precisamos ser monocrônicos por um período e eliminar todas as distrações”, orienta Ballard.

Para os mais rígidos com horários, inserir pausas entre compromissos pode reduzir o estresse caso surjam atrasos. Já para os mais dispersos, marcar reuniões com antecedência fictícia pode ajudar na pontualidade.

A convivência entre diferentes estilos de tempo se torna mais harmoniosa quando há compreensão e ausência de julgamento.

“Para os dois tipos de personalidade, o que ajuda é reconhecer que nem todo mundo vê o tempo da mesma forma”, finaliza Ballard.

Fonte: O Segredo

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