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Arraiá da AACC-MS mobiliza Campo Grande em uma grande corrente pelo bem

Foto: Olga Cruz

O cheiro de quentão, o colorido das bandeirinhas e o som das tradicionais quadrilhas juninas ganharam um significado ainda mais profundo no último sábado, dia 6 de junho. O Centro de Convenções Albano Franco, em Campo Grande, abriu suas portas das 11h às 22h para acolher o tradicional Arraiá da AACC-MS (Associação dos Amigos das Crianças com Câncer de Mato Grosso do Sul). Consolidado como o maior evento junino solidário do Estado, a festa deste ano teve uma missão urgente: além de garantir a manutenção dos serviços diários da instituição, toda a renda arrecadada com a venda de ingressos e alimentos será destinada à aguardada reforma da Casa de Apoio da entidade.

Para além dos números e das metas de público — que estimavam atrair cerca de 4 mil pessoas ao longo do dia —, o Arraiá se sustenta pelo calor humano de uma imensa rede de apoio. Atrás de cada balcão e na organização do espaço, uma força-tarefa de 380 voluntários trabalhou incansavelmente. São pessoas que doam seu tempo não apenas na temporada de festas, mas que estendem esse acolhimento ao longo de todo o ano.

É o caso de Maria Auxiliadora, de 57 anos, cuja trajetória se confunde com a história da própria instituição. Há 24 anos atuando como voluntária, ela traz no olhar a certeza de quem ajuda a salvar vidas diariamente. “Nosso objetivo é cuidar de crianças e adolescentes com câncer de 0 a 19 anos”, explica Maria. Ela lembra que o suporte oferecido pela AACC-MS vai muito além do aspecto hospitalar. Atualmente, cerca de 68 pessoas — entre pacientes e acompanhantes do interior do Estado — encontram abrigo, alimentação e apoio multiprofissional na Casa de Apoio enquanto enfrentam o tratamento oncológico na Capital.

Sabores que curam

No pavilhão do Albano Franco, a solidariedade se manifestou em forma de gastronomia típica. Nas barracas, o público pôde saborear desde clássicos regionais, como o arroz carreteiro, o espetinho e a tradicional linguiça de Maracaju, até hambúrgueres e os disputados quitutes juninos.

Na barraca de doces, o ritmo foi frenético durante todo o sábado. Glauria Nunes, que participa do Arraiá como voluntária pela segunda vez, relatou a alegria de ver os tabuleiros esvaziarem rapidamente. “A gente tem que repor os doces a todo momento. Saem muitos bolos, brownies, bombons, além de pamonha e pé de moleque”, comemora. Para ela, o esforço físico da jornada é recompensado pelo sentimento de gratidão. “É uma satisfação poder estar aqui com o coração para ajudar a AACC, que já ajudou tantas crianças com câncer do nosso Estado.”

Enquanto os adultos aproveitavam a culinária e as apresentações culturais, as crianças se divertiam em uma área kids montada especialmente para o evento, repleta de brincadeiras típicas que mantêm viva a tradição da festividade.

Propósito compartilhado

Para quem foi prestigiar, o ingresso de R$ 20 (com entrada gratuita para menores de 10 anos) representou um investimento no futuro de dezenas de famílias. A professora Ana Laura, de 42 anos, faz questão de incluir o evento em seu calendário anual e aponta que a festa une o útil ao agradável de forma única.

“Eu acho uma maravilha. Como professora, vejo muita importância, porque além de nos divertirmos e aproveitarmos a festa, estamos contribuindo com essa ação para tantas crianças que precisam desse tratamento”, destaca Ana Laura, revelando, com um sorriso, que a festividade da AACC-MS é a sua preferida entre todas as do mês de junho.

Segundo a diretoria da instituição, eventos como o Arraiá são pilares fundamentais para que a AACC-MS continue oferecendo assistência integral de alta qualidade — cobrindo desde exames de diagnóstico rápido até o suporte psicossocial. Ao fechar as portas no fim da noite de sábado, o sentimento geral no Albano Franco não era apenas o de dever cumprido por mais um evento realizado, mas o de que cada doce vendido e cada entrada paga se transformaram, oficialmente, em combustível para a cura.

O evento contou também com apresentações de quadrilhas típicas, dançadas por alunos de escolas da Capital.

Olga Cruz

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