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Academia de Letras de MS celebra diversidade poética no Concurso Oliva Enciso

Em noites nas quais a literatura ganha voz, o tempo desacelera para dar lugar ao essencial. Nesta quinta-feira (20), a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) abre suas portas ao público para selar um ciclo de intensa criação artística com a entrega de prêmios e certificações aos finalistas do Concurso de Poesias “Oliva Enciso”. Lançado em julho com apoio do Governo do Estado — via Secretaria de Turismo, Desporto e Cultura e Fundação de Cultura de MS (FCMS) —, o certame gratuito revelou a potência da palavra que brota em diversos cantos de Mato Grosso do Sul.

Sob a imparcialidade dos pseudônimos, os textos concorrentes atravessaram a avaliação criteriosa de uma comissão formada pelos próprios acadêmicos da instituição. “Em meio aos poemas enviados de vários municípios sul-mato-grossenses, critérios como originalidade e domínio da linguagem foram considerados”, ressalta o presidente da ASL, Henrique de Medeiros. Para ele, a iniciativa cumpre um papel duplo e fundamental: reconhece trajetórias consolidadas e abre caminhos para que novas vozes encontrem seu espaço na cena literária regional.

O ápice do concurso destaca a sensibilidade feminina, com autoras da Capital ocupando o pódio. O poema “Roseiras desabrocham no inverno”, de Marlene Ferraz dos Santos, conquistou o primeiro lugar e a premiação de R$ 3.000. Soraia Aparecida Roques Pereira alcançou a segunda colocação (R$ 2.000) com “Sensibilidade”, seguida por Diana Pilatti Onofre em terceiro lugar (R$ 1.000) com “Azul-violáceo”.

A noite festiva ganhará um tom especial quando os dez poemas classificados forem interpretados e declamados no palco pelos imortais da ASL, dando corpo a versos que refletem o cotidiano, a passagem das estações e as nuances da existência:

“Esse corpo nunca pertenceu como às roseiras. / Pertence também ao olhar que acredita nas estações. / Meu broto desconhece o calendário. / Ele mede o tempo pela sede. / Toda flor é uma forma de desmentir o relógio. / Toda espera amadurece na escuridão.”

Entre imagens urbanas que capturam “pequenos paradoxos perfumados” como as patas-de-vaca nas calçadas do centro e reflexões profundas onde “o feminino não é destino, é verbo”, a seleção traduz a pluralidade do estado. Completam a lista dos dez agraciados com certificados: Júlia Maria Martins (4º – Cassilândia), Reginaldo Costa de Albuquerque (5º – Campo Grande), Dafne de Oliveira Guenka Ramos (6º – Campo Grande), João da Silva Junior (7º – Campo Grande), Angelica Cardoso Rodrigues (8º – Jardim), Daniel Abrão (9º – Campo Grande) e Julio Cezar Oliveira Costa (10º – Campo Grande).

Ao nomear o concurso em homenagem a Oliva Enciso — corumbaense pioneira que desbravou caminhos na educação, na política e na cultura sul-mato-grossense —, a ASL não apenas honra o legado de sua saudosa acadêmica, mas reafirma que a poesia permanece viva, pulsante e transformadora em nosso território.

Olga Cruz

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