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Cidade de MS está entre cidades do Brasil que mais registraram tornados

Imagem ilustrativa

Quando se fala em tornado no Brasil, o Sul do país costuma ser a primeira região lembrada. Mas Mato Grosso do Sul também aparece no topo do ranking nacional: Dourados registrou nove tornados desde 2018, empatando com Sarandi e Guaíba, no Rio Grande do Sul, como as cidades com mais ocorrências no período.

Os dados fazem parte de um levantamento que reúne 524 tornados registrados no Brasil entre 2018 e 2026 e foram divulgados pelo Portal G1. Os episódios foram identificados em mais de 280 municípios, principalmente no Centro-Sul, mas também há registros em estados do Norte e Nordeste.

Dourados é a única cidade de Mato Grosso do Sul entre as dez que mais aparecem no levantamento. Além dela, o ranking reúne municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Pará.

Confira as cidades com mais registros:

  • Sarandi (RS): 9 tornados
  • Guaíba (RS): 9 tornados
  • Dourados (MS): 9 tornados
  • Horizontina (RS): 8 tornados
  • Xanxerê (SC): 8 tornados
  • Ananindeua (PA): 8 tornados
  • Corbélia (PR): 7 tornados
  • Cerqueira César (SP): 7 tornados
  • Salvador (BA): 7 tornados
  • Guarapuava (PR): 6 tornados

O levantamento foi feito a partir do Prevots, projeto mantido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Oklahoma, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM).

O Brasil ainda não possui um banco de dados oficial específico para contabilizar tornados. Por isso, o projeto reúne informações sobre os fenômenos e permite identificar onde eles ocorreram e, em alguns casos, a intensidade registrada.

Por que há tantos tornados no Sul e Centro-Sul?

O tornado é uma coluna de ar que gira em alta velocidade e se estende de uma nuvem de tempestade até o solo. Para se formar, é necessária uma combinação específica de condições atmosféricas, cenário que ocorre com maior frequência no Sul do Brasil.

Isso ajuda a explicar a concentração de registros no Centro-Sul, mas o mapa também mostra que o fenômeno não está restrito à região, há ocorrências documentadas em diferentes partes do país.

Dos 524 tornados registrados no Brasil desde junho de 2018, 227 aconteceram em apenas três estados: Rio Grande do Sul (93), Paraná (81) e Santa Catarina (53).

Enquanto no Brasil como um todo a maioria dos fenômenos registrados é do tipo menos intenso, no Sul essa lógica se inverte: mais da metade dos casos identificados na região é do tipo gerado por supercélula, a categoria de maior potencial destrutivo – 51% dos casos.

Supercélula é uma tempestade que gira inteira, como um redemoinho gigante de nuvem. Quando essa rotação desce em direção ao solo e se afunila, nasce o tornado, e por já sair de uma tempestade que gira, ele tende a ser mais forte e durar mais que os outros tipos.

Então por que isso acontece com mais frequência no Sul? Por trás dessa concentração está a posição geográfica da região e o que ocorre por lá. Tudo começa com os rios voadores, que são jatos de ventos que carregam calor e umidade direto da Amazônia até o Sul do país.

“Se você imaginar esse jato como um rio, é como se esse rio, que está trazendo ar quente e úmido, desembocasse no Sul do Brasil. E, ao fazer isso, é como se começasse a empoçar a umidade naquela região do mapa”, explica Ernani.

É nesse ponto que entra o segundo ingrediente: vindo da Argentina, chega ar frio e seco. O encontro das duas massas cria um contraste que acelera o vento conforme a altitude aumenta, o que os especialistas chamam de cisalhamento.

Com ele, a rotação começa lá em cima e, em alguns casos, desce até perto do chão. É esse último passo que separa uma tempestade comum de um tornado.

São Paulo aparece logo atrás do Rio Grande do Sul no ranking nacional, com 90 registros no período, apenas três a menos que o estado gaúcho, o mais afetado do país.

O pesquisador e especialista em tornados explica que isso ocorre porque essa junção de fatores que se encontra no Sul do país também afeta o Centro-Sul, como São Paulo e o Mato Grosso do Sul, mas com menor frequência.

*Com informações g1

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