Por Rogério Alexandre Zanetti
Os versos de Almir Sater dialogam com uma das mais antigas tradições da humanidade: a memória indígena sobre os seres que vieram do céu
“Me lembro de um velho índio contando histórias, de glórias e tradições que eu não vivi. Quando das estrelas vieram deuses e seus sinais estão por aí…”
Poucas vezes a música brasileira conseguiu condensar, em apenas alguns versos, um universo tão profundo de memória, espiritualidade e mistério quanto Almir Sater em Serra de Maracaju.
A canção começa como começam as grandes histórias da tradição oral: um ancião transmite aos mais jovens conhecimentos recebidos de seus antepassados. Não são relatos escritos em livros nem registrados por historiadores. São narrativas preservadas pela palavra, pela experiência e pelo respeito aos mais velhos.
Mas há um detalhe que torna esses versos ainda mais intrigantes.
O velho índio fala de um tempo em que “das estrelas vieram deuses”.
Para muitos, trata-se apenas de uma bela metáfora poética. Para outros, especialmente estudiosos da Ufologia e da tradição indígena, a frase ecoa um tema presente em dezenas de culturas ancestrais espalhadas pelo planeta: a crença de que seres vindos do céu visitaram a Terra em tempos imemoriais, trazendo ensinamentos, conhecimento e transformações profundas para a humanidade.
Entre diversos povos indígenas brasileiros, especialmente nas tradições preservadas pelos anciãos, existem narrativas que falam de “gente das estrelas”, “povos do céu”, “espíritos luminosos” ou “seres vindos das constelações”. Cada etnia interpreta essas experiências segundo sua cosmologia, sua língua e sua espiritualidade, mas um elemento permanece recorrente: o céu nunca foi apenas um cenário. Sempre foi também origem.
Na Ufologia contemporânea, esses relatos despertam crescente interesse.
Pesquisadores observam que histórias semelhantes aparecem entre povos indígenas da Amazônia, do Xingu, do Alto Rio Negro, do Cerrado e do Pantanal, bem como em culturas ancestrais da América do Norte, dos Andes, da Oceania e da África. Embora variem em detalhes, compartilham uma ideia comum: em um passado remoto, seres celestes estabeleceram contato com os habitantes da Terra.
Essas narrativas pertencem ao patrimônio cultural e espiritual de cada povo, e integram sistemas próprios de conhecimento, cosmologia e relação com o universo. A interpretação ufológica é apenas uma das leituras possíveis dessas tradições. Mas, convenhamos bastante forte, justamente porque guarda semelhanças com histórias de outros povos, de outros continentes e de épocas distintas.
Talvez seja justamente essa abertura ao mistério que torna Serra de Maracaju uma obra tão singular. Essa serra o acidente geográfico que cruza e une o Estado de Mato Grosso do Sul, tão diverso e que abriga em seu território 3 biomas: o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal. E o mais incrível é saber que a sede mundial de Dakila – o Recanto de Havalon e a Cidade Zigurats, se situam exatamente em um dos pontos mais altos da Serra de Maracaju, no município de Corguinho.
Almir Sater não se arrisca a oferece respostas. Nem deveria e perderia a verve poética da bela canção. Apenas recorda a voz de um velho contador de histórias, alguém que preserva uma memória anterior à escrita, anterior às cidades e, talvez, anterior à própria História oficial.
No entanto, quando canta que “seus sinais estão por aí”, o compositor deixa uma pergunta suspensa no ar. Que sinais são esses? E são tantas, como as marcas da cultura indígena espalhadas pela paisagem sul-mato-grossense, vestígios da ancestralidade preservados na memória dos povos originários e lembranças de acontecimentos tão antigos que sobreviveram na oralidade dos povos.
A Ufologia indígena convida justamente a essa reflexão. Em vez de buscar respostas imediatas, propõe ouvir com atenção aqueles que, durante séculos, conservaram narrativas transmitidas de geração em geração, muito antes da ciência moderna voltar seus olhos para o céu.
Talvez, como sugere Almir Sater, existam histórias que não precisam ser provadas para continuarem vivas.
Basta que alguém se disponha a escutá-las. E de instituições com Dakila para pesquisar e buscar a verdade oculta nas canções e saberes indígenas.
E, quem sabe, ao olhar para o céu estrelado sobre a Serra de Maracaju, você possa compreender que algumas das perguntas mais antigas da humanidade estão mais próximas do que imaginamos.





