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Lula não largou Moraes, e resultado no STF deixa sua campanha sangrando

Distanciamento entre Lula e o ministro Alexandre de Moraes foi calculado pela campanha petista, mas na prática não ocorreu 

Não havia desfecho positivo para o petista no julgamento desta terça-feira, tamanho seu atrelamento político com Moraes; mas o adiamento impede Lula de pautar outros temas na campanha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tinha sido orientado a “largar a mão” de Alexandre de Moraes, desde que começou a despencar nas pesquisas de intenção de voto, mas o distanciamento foi apenas cálculo eleitoral e, na prática, não ocorreu. Ao contrário disso, o governo e o PT agiram para indiretamente proteger o “herói” do julgamento do 8 de janeiro.

A estratégia foi desviar o foco das suspeitas sobre as relações de Moraes e Daniel Vorcaro, antagonizando o tema com a atuação do ministro André Mendonça. Para isso, os governistas contaram com duas frentes: no próprio Judiciário, com a ofensiva de Flávio Dino, fiel escudeiro de Lula, em ações contra Mendonça, e nas redes sociais, elevando o tom sobre o magistrado.

Ou seja, Lula apenas evitou elogios públicos a Moraes e, agora, sua campanha continuará sangrando diante da crise que se arrasta no STF.

Interlocutores palacianos admitiam, desde cedo, nesta terça-feira, 15, que nenhum desfecho no Supremo geraria resultado positivo para Lula.

Se a decisão da Corte fosse por autorizar a investigação, Moraes passaria a ser alvo de inquérito, o problema cairia no colo de Lula e os discursos bolsonaristas ganhariam força. Já com o caso adiado, por ação de aliados do presidente, a mensagem que fica é de que seu grupo político ajuda Moraes de todo jeito. Para piorar, o petista não consegue pautar outro tema na campanha presidencial.

No pragmatismo político, Moraes virou tóxico para o candidato Lula, porém continua sendo útil ao petismo para rivalizar com os bolsonaristas. A duas semanas do primeiro turno, entretanto, os marqueteiros da campanha sabem que não há mais espaço para erros de estratégia ou improviso.

Até ontem, o presidente Lula não tinha feito nenhuma crítica ou cobrança incisiva por esclarecimentos sobre as graves suspeitas que pesam contra Moraes — por exemplo, de corrupção passiva e advocacia administrativa. O presidente da República fizera apenas uma declaração genérica de que “todos devem prestar esclarecimentos”.

Agora, os próximos passos de Lula e do PT devem considerar uma máxima que circula em Brasília: políticos experientes vão até a beira do abismo com um aliado político, mas, se chegar a hora da queda, empurram primeiro.

Escalada da crise Moraes na campanha de Lula

Como mostrou a Coluna do Estadão, a cúpula da campanha presidencial petista teve uma longa reunião no último dia 9. Foram mais de cinco horas de discussões nas quais o grupo reavaliou o cenário político e se deparou com a constatação de que o escândalo sobre Alexandre de Moraes cola mais em Lula do que o caso que envolve as denúncias sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Um dos motivos para a nova comunicação foi a análise de um monitoramento digital recebido pela campanha. Os números apontaram uma escalada expressiva no volume de menções e comentários sobre a crise do Supremo Tribunal Federal nas redes sociais; no caso específico de Alexandre de Moraes + Daniel Vorcaro + Banco Master, quase 90% das reações registradas são críticas.

Desde que foi revelada a troca de mensagens de Daniel Vorcaro com Moraes, com pedido até de orientação sobre o dia da fuga, Lula passou a amargar novas quedas nas intenções de voto.

As pesquisas mais recentes mostraram seu principal rival, Flávio Bolsonaro (PL), numericamente à frente, embora os dois estejam ainda em empate técnico. O cenário considerado mais preocupante para o PT é eventualmente chegar ao dia 4 de outubro com o filho “Zero Um” de Jair Bolsonaro à frente também nas projeções de 1º turno.

Roseann Kennedy / Coluna Estadão

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