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Mesmo com chuva forte e problemas de energia em municípios do Estado, índice ficou dentro da média histórica esperada pelo TRE-MS
Mato Grosso do Sul encerrou o primeiro turno das eleições deste domingo (4) com um dado que chama atenção para além do resultado das urnas: 482.860 eleitores não compareceram para votar. O número representa 23,88% dos 2.021.869 sul-mato-grossenses aptos a participar da eleição — praticamente um em cada quatro eleitores do Estado.
Com 100% das 7.106 seções eleitorais totalizadas às 20h06, o comparecimento foi de 1.539.009 eleitores, equivalente a 76,12% do eleitorado. Apesar do volume expressivo de ausências, o resultado ficou dentro da média histórica projetada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).
A abstenção ganha relevância também sob o aspecto político. Em uma eleição marcada por disputas importantes para o Governo do Estado, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, quase meio milhão de eleitores deixaram de participar diretamente da definição das forças políticas que representarão Mato Grosso do Sul nos próximos anos.
Entre os eleitores que foram às urnas, 1.420.762 registraram votos válidos para deputado federal, o equivalente a 92,32% dos votantes. Desse total, 1.367.994 foram votos nominais e 52.768 votos de legenda. Outros 81.203 eleitores votaram em branco, correspondendo a 5,28%, enquanto 37.044 anularam o voto, ou 2,41%.
Chuva chegou a preocupar Justiça Eleitoral
O número definitivo de ausentes confirmou a expectativa apresentada pouco antes do encerramento da votação pelo presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar.
Durante a tarde, no entanto, a Justiça Eleitoral chegou a trabalhar com a possibilidade de uma abstenção mais elevada devido às fortes chuvas registradas em Campo Grande e em diversos municípios do interior.
Contar relatou que visitou locais de votação na Capital depois do almoço e encontrou pouco movimento naquele período.
“Até aquele momento a abstenção era muito grande aqui na Capital. Eu acreditava que o número seria bem maior do que nos anos anteriores. A população compareceu, caiu muito e ficou dentro da média histórica”, afirmou.
As condições climáticas também provocaram falta de energia elétrica em municípios das regiões sul e sudeste do Estado. Entre as cidades mencionadas pelo presidente do TRE-MS estão Ponta Porã, Antônio João, Aral Moreira, Paranhos, Amambai, Nova Andradina, Fátima do Sul, Jateí e Bonito.
Apesar das adversidades, o processo eleitoral não precisou ser interrompido.
“Mesmo diante destas adversidades, em nenhum momento houve interrupção da votação. As urnas eletrônicas funcionaram de modo regular durante todo o período”, destacou Contar.
Ao longo do domingo, 25 urnas eletrônicas precisaram ser substituídas por problemas técnicos, sem comprometimento da continuidade da votação.
Quatro ocorrências eleitorais
O TRE-MS também registrou quatro ocorrências relacionadas a crimes ou irregularidades eleitorais durante o primeiro turno.
Segundo o presidente do Tribunal, foram contabilizados dois casos de boca de urna, uma tentativa de divulgação do voto e uma ocorrência de desobediência.
O balanço final aponta, portanto, para uma eleição conduzida sem interrupções relevantes no Estado, apesar das condições climáticas e das ocorrências pontuais. O dado que permanece em destaque, contudo, é o tamanho da ausência: quase 500 mil sul-mato-grossenses aptos a votar ficaram fora das urnas no primeiro turno, uma parcela significativa do eleitorado e que também passa a integrar a leitura política do resultado de 2026.
Brasil
No Brasil , mais de 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno das Eleições 2026, a abstenção chegou a 21,08% do eleitorado apto, o maior percentual registrado em uma eleição geral desde 1998.
Com 99,91% das urnas apuradas, 33.428.584 eleitores não compareceram aos locais de votação.
Os resultados das eleições são contabilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza a totalização em tempo real por estado, município e zona eleitoral.
O percentual deste ano se aproxima do registrado em 1998, quando 21,5% dos eleitores aptos não foram votar.
Abstenção vem crescendo nas últimas eleições
O resultado mantém uma tendência de aumento do número de eleitores que deixam de comparecer às urnas nas eleições gerais.
Em 2022, foram 32.739.676 ausências, o equivalente a 20,93% do eleitorado. Quatro anos antes, em 2018, 29.940.386 pessoas não votaram, representando 20,33%.
Abstenção nas últimas eleições gerais
- 2010: 24.610.296 eleitores — 18,12%;
- 2014: 27.697.667 eleitores — 19,39%;
- 2018: 29.940.386 eleitores — 20,33%;
- 2022: 32.739.676 eleitores — 20,93%;
- 2026: 33.428.584 eleitores — 21,08%.
Nove estados ficaram acima da média nacional
Em nove estados, o percentual de eleitores que não compareceram às urnas ficou acima da média nacional de 21,08%.
Mato Grosso do Sul teve a maior taxa de abstenção entre os estados, com 483.210 eleitores ausentes, o equivalente a 23,87% do eleitorado.
Na sequência aparece o Rio de Janeiro, onde 2.996.322 pessoas não votaram, uma taxa de 23,32%.
Minas Gerais completa as três maiores taxas de abstenção, com 3.684.912 eleitores ausentes, ou 22,77%.
Olga Cruz





