Em agenda com o candidato do PL e lideranças nacionais, grupo consolida alianças e coloca a redução da abstenção entre as prioridades para a votação de 25 de outubro
O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL), o governador reeleito Eduardo Riedel (PP) e a senadora Tereza Cristina (PP) protagonizaram, nesta quarta-feira (7), em Brasília, uma intensa agenda de articulações políticas em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O senador eleito Capitão Contar também participou das articulações na Capital Federal.
Os encontros reuniram lideranças nacionais, parlamentares e representantes de partidos da direita e centro-direita, com o objetivo de alinhar estratégias para o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A movimentação ocorre em um momento decisivo da disputa presidencial e coloca Mato Grosso do Sul entre os estados que organizam suas principais lideranças para atuar diretamente na campanha. Além do encontro com Flávio Bolsonaro, a agenda envolveu articulações partidárias para ampliar a base de apoio ao candidato do PL.
Para Reinaldo Azambuja, que acaba de conquistar uma cadeira no Senado Federal, o segundo turno representa uma nova etapa de mobilização política. Presidente estadual do PL, ele participa da organização da campanha em Mato Grosso do Sul, ao lado de Riedel, Tereza Cristina e demais lideranças da aliança.
Reinaldo Azambuja deixou claro que a prioridade da articulação política será ampliar a participação dos eleitores no segundo turno, especialmente diante do elevado índice de abstenção registrado em Mato Grosso do Sul.
“Nosso comprometimento agora é com o segundo turno, em diminuir a abstenção. O foco total de todas as lideranças de Mato Grosso do Sul é a eleição de Flávio Bolsonaro, ampliando a vantagem por aqui”, afirmou o senador eleito.
O senador eleito Capitão Contar (PL) também participou das articulações em Brasília e destacou a importância de manter a mobilização política após o primeiro turno. “A missão é não desmobilizar”, afirmou ao reforçar seu compromisso com a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O governador reeleito Eduardo Riedel também reafirmou seu posicionamento durante a agenda em Brasília, destacando o alinhamento das lideranças estaduais para a próxima etapa da disputa presidencial.
“Estamos em Brasília para ratificar nosso apoio ao presidente Flávio Bolsonaro”, declarou Riedel, ao se referir ao candidato do PL.
Abstenção recorde
Um dos principais desafios da campanha em Mato Grosso do Sul será reduzir o número de eleitores que deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno, realizado no último domingo (4).
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Estado registrou a maior taxa de abstenção do país: 23,87% do eleitorado, o equivalente a 483.210 pessoas que não votaram. Na prática, quase um em cada quatro eleitores sul-mato-grossenses ficou fora da votação.
O índice coloca a mobilização eleitoral no centro das discussões do grupo político. A estratégia defendida por Reinaldo e seus aliados é ampliar o comparecimento às urnas, intensificar o contato com a população e buscar novos votos para Flávio Bolsonaro.
A preocupação não se limita à manutenção do eleitorado que já votou no candidato no primeiro turno. O desafio envolve também alcançar aqueles que não participaram da votação anterior, em uma disputa na qual cada campanha procura ampliar sua base eleitoral.
A agenda em Brasília também marcou a aproximação entre diferentes forças partidárias em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.
A senadora Tereza Cristina destacou publicamente a posição da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas, em apoio ao candidato do PL. Segundo ela, a orientação é que as lideranças retornem aos estados para intensificar o trabalho de campanha, com presença nas ruas e diálogo direto com os eleitores.
O Republicanos também formalizou apoio à candidatura presidencial, ampliando o conjunto de partidos que participam das articulações para o segundo turno.
Em Mato Grosso do Sul, a atuação conjunta de Reinaldo, Riedel e Tereza Cristina reúne lideranças que tiveram participação central nas eleições estaduais e agora direcionam parte de sua agenda política à disputa nacional.
Encerradas as reuniões na capital federal, a expectativa é que as articulações sejam traduzidas em ações de campanha nos municípios sul-mato-grossenses.
A mobilização deverá envolver dirigentes partidários, parlamentares eleitos, lideranças regionais e integrantes das campanhas que participaram do primeiro turno. A intenção do grupo é fortalecer a organização política até o dia 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão a Presidência da República.
Análise
Mais do que uma agenda de reuniões, a passagem das lideranças sul-mato-grossenses por Brasília revela uma mudança de foco após a definição das disputas estaduais. Com Eduardo Riedel reeleito governador e Reinaldo Azambuja e Capitão Contar eleitos para o Senado, parte importante da estrutura política que atuou nas eleições de Mato Grosso do Sul passa a se concentrar no segundo turno presidencial.
Nesse cenário, Reinaldo ocupa uma posição estratégica. Como presidente estadual do PL e senador eleito, reúne responsabilidades partidárias e capital político para coordenar a mobilização em torno de Flávio Bolsonaro. A presença de Riedel e Tereza Cristina acrescenta à articulação a participação de lideranças do Progressistas com atuação estadual e nacional.
Entretanto, o tamanho dessa aliança não determina, por si só, o resultado nas urnas. O índice recorde de abstenção mostra que o desafio vai além de reunir partidos e lideranças: será necessário compreender as razões pelas quais tantos eleitores deixaram de votar e avaliar de que maneira o comparecimento poderá mudar no segundo turno.
O movimento iniciado em Brasília evidencia a prioridade atribuída por esse grupo político à candidatura de Flávio Bolsonaro. Sua efetividade, porém, será medida pela capacidade de converter apoio institucional, organização partidária e mobilização territorial em participação eleitoral e votos.
Até 25 de outubro, a disputa em Mato Grosso do Sul terá, portanto, duas frentes igualmente relevantes: a articulação das lideranças políticas e a resposta dos eleitores nas urnas.
Olga Cruz





