“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las”. Essa poderosa frase dita pela Madre Tereza de Calcutá é um sábio exemplo de como o ato de julgar as pessoas não nos acrescenta nada, pelo contrário, só nos impede de amarmos, compreendermos e aceitarmos o nosso próximo com seus erros e acertos, defeitos e qualidades presentes em qualquer ser humano.
Isso me fez pensar essa semana sobre esse mal que assola o mundo.
Nas mídias sociais as pessoas repassam informações e críticas sem checar a precedência e a fonte, se verdade ou mentira, em especial quando são críticas pessoais, pejorativas e por vezes destrutivas.
E a primeira mentira é que fica, para desmentir é difícil e causa sempre mais dúvidas do que a mentira que já foi disseminada. E por essa primeira informação que são realizados os julgamentos.
Na maioria do tempo vivemos relações nas quais julgamos e somos muito julgados. Penso que são ações pouco inteligentes posto que não é admissível julgar alguém, isso é uma abstração. Cada pessoa vê o mundo a partir de seu ângulo, com uma lente diferente.
Afinal, por que julgamos tanto as pessoas a nossa volta? Por que esta atitude acaba sendo algo tão intenso em nossa vida pessoal e profissional? O que nos leva a julgar ou criticar o nosso próximo? Por que executamos este comportamento mesmo sabendo que ele é tão sabotador?
Cada um de nós temos experiências e vivências individuais. Sejam elas boas ou não, são importantes para a construção de nossa subjetividade e amadurecimento.
É importante destacar que somos humanos e cometemos falhas o tempo todo mesmo. Muitas vezes, ao julgar as pessoas ou querer que elas sigam nossa própria filosofia de vida, nos comportamos como crianças mimadas, que querem coisas que não existem no mundo real.
Quando julgamos o outro em sua maneira agressiva, grosseira, arrogante, mesquinha temos que olhar para nós mesmos e pensar: estamos falando do outro ou de nós mesmos? Todo mecanismo de defesa é uma estratégia que as pessoas usam, sem perceber que estão fazendo isso, a fim de protegerem-se de coisas que realmente não dão conta de lidar ou pensar, o que traz certo alívio ao sentimento de culpa.
Nesse contexto, sinto que as pessoas são rápidas para julgar os outros, mas são lentas para se corrigir; uma vez que, quanto mais severo você for com as falhas do próximo, mais severo você será com as suas próprias falhas. A vida em sociedade é um espelho em que você se vê refletido naqueles que o cercam; e, julgar uma pessoa não define quem ela é, mas define quem você é.
Maquiavel, em seu livro “O Príncipe”, fala: “…Todos veem o que pareces, poucos percebem o que és”.
Pois é, o que se esconde por trás de julgamentos, pode ser a própria projeção de nossa sombra refletida no universo que perfaz o outro. Será que estamos tentando encobrir do mundo externo e de nós próprios, falhas e defeitos??
Somos muito mais do que aparências; somos uma história, uma personalidade única, uma vida, cada qual do seu jeito.
E, se cada um cuidar de si, estaremos aptos a convivermos pacificamente em sociedade e em conjunto, estaremos prontos a embarcarmos e convivermos em um mundo melhor, onde o que deve ser permitido deve ser, termos um olhar generoso com os colegas dessa vida, permitindo-os auxiliá-los com a projeção de nosso equilíbrio interior, que refletirá sabiamente em possíveis mudanças, como quando nos crucificávamos com veemência, por simplesmente estarmos cegos e inaptos de enxergar, onde não víamos somente o outro, onde possivelmente enxergávamos nele o nosso lado mais obscuro, confundindo a realidade apresentada.
Veja que a vida nos coloca sempre diante de decisões próprias, que só quem está atrás do nosso próprio nariz pode tomar. E isso significa que a gente não é, a gente está. E esse estado de “estar” implica abertura, constante experimentação e liberdade pra se repensar, onde antes de julgar, procure propor soluções que possam contribuir com o crescimento, mudança e melhora da pessoa. Ofereça ajuda ao invés de condenar
Antropologicamente, escreve a psicóloga Alessandra Milani Fonseca, nuances do ato de julgar são crenças e pensamentos limitantes, advindos de traumas de si mesmo, com intuito de fugir ou lutar contra algo interior. E, é como se julgar o outro garantisse um conforto de que estou no caminho certo. Por isso, vivemos sempre buscando tantas verdades, tantas receitas; e, no fundo, todos nós sabemos que nenhum barco é suficiente para atravessar as tempestades e desafios impostos pela vida.
Pare um pouco e reflita se você tem uma atitude correta em relação ao julgamento e como você se sente ou ser julgado.
Afinal, estamos aqui para aprender e evoluir com as coisas em nosso entorno, transformando o escuro em claro, sombras em luz, o caminho longo em curto, e erros em acertos, E não julgar te deixa mais humano, colhendo a sua luz, sombra e compreendendo mais o outro. Pois somos uma das poucas certezas que temos na vida é que ninguém nasce pronto, entendendo que todos são seres humanos, sedentos por aprendizados em busca de tornar-se melhor a cada dia.
Eu acredito que a vida é uma caminhada e nos convida sempre a sermos pessoas melhores. A cada dia uma chance nova de aprender e crescer.
Nos últimos dias tenho visto muitas notícias acerca de críticas, julgamento, sem compromisso com a verdade e sem praticar antes o ato de colocar-se no lugar do outro.
Nesta semana quero lhe trazer uma reflexão: Como é que você cuida os erros alheios e não cuida os seus próprios? Como é que você é tão severo com as falhas do outro e sempre arruma uma desculpa para as suas? Como é que você fica tão indignado(a) ao perceber os defeitos do próximo e se sente tão injustiçado quando apontam os seus defeitos? Dois pesos e duas medidas.
Confesso que também vou fazer essa reflexão, de maneira “natural” sem traumas, sem rompimentos, de dentro para fora.
Vamos fazer o exercício de julgar menos, procurar se conhecer mais e aceitar com benevolência os “defeitos” alheios, viver a vida com mais prazer, menos razão e mais coração, somos todos(as) imperfeitos(as) mas temos a chance de ser feliz julgando menos.
Dra. Iacita Azamor Pionti
Advogada e presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres





