MS Delas

Search
Close this search box.
26°C

A vantagem da direita é quase toda nos votos em mulheres e jovens


O número de senadoras eleitas, 12, é recorde e quase o dobro da eleição anterior; muitas são de direita, com o trio Damares Alves, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado, Wilton Junior/Estadão e Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Vou contar o que aconteceu no domingo. Porque, já em janeiro, previ Flávio Bolsonaro como próximo presidente. Há um mês, previ o PL com 29 senadores (foram 28), bem acima das pesquisas. Quando anunciaram Ancelotti, anunciei na coluna que o Brasil não seria hexa. Como economista, sou um excelente pitaqueiro, e vou continuar.

Em 2024, disse que a pauta da jornada de trabalho deveria ser a aposta da esquerda nas eleições. Em agosto, postei que Lula deveria proibir as bets para tentar vencer. “Mas a tua separação você não previu né, Pedrão?” – é um ponto justo, mas sigamos.

Minha tese é de que a vantagem da direita é quase toda nos votos em mulheres e em jovens. Por algum motivo, a esquerda não oferece nomes tão competitivos aí. Algo que lembra um efeito composição. Não haveria diferença relevante na votação recebida por homens velhos, direita e esquerda empatariam nesses candidatos na hipótese.

Outro dia escrevi aqui sobre a visão da ministra Cármen Lúcia, de que a realidade das mulheres estaria no seu pior momento em 20 anos, e contrastamos a fala com alguns dados. Mostramos que a representação feminina tem crescido na política e adiantamos que, pela primeira vez na história, haveria uma bancada inteira no Senado apenas de mulheres (a do DF, toda de direita). O número de senadoras eleitas, 12, é recorde e quase o dobro da última eleição.

Muitas são de direita, com o trio Damares, Michelle e Bia. Os ganhos históricos em representatividade passam despercebidos por isso? A eleição de governadoras também pode ser histórica, e nenhuma mulher de esquerda participará do feito.

Será também o Senado mais jovem dos últimos tempos: a idade média dos senadores eleitos é a menor em mais de 20 anos. São quase cinco anos a menos do que a média de 2014, aquele último ano normal. Com um acelerado processo de envelhecimento do eleitorado, é intrigante a tendência de rejuvenescimento na casa sênior. Novamente, foram votos de direita: o RS elegeu um senador de 40 anos, Santa Catarina, uma senadora da mesma idade e o Paraná, um de 35 anos.

Dois deputados passaram pela primeira vez de 3 milhões de votos: nenhum deles tem mais de 30 anos, e os dois são do PL. Há um tempo, a Revista Fórum apresentou uma reportagem com a manchete declarando que José Dirceu era a aposta da esquerda para renovação em São Paulo. Zé não foi nem eleito, imagina puxar uma onda de renovação.

E se não foi uma onda de direita, mas uma onda feminina, uma onda jovem? O eleitorado quer votar em jovens e mulheres, e a direita ofereceu melhores opções? Ou renovação de gênero e idade acontece na direita porque ela dá mais espaço? Há outro mecanismo aqui?

Estadão

Você também pode gostar...