O Brasil está envelhecendo. De que forma isso está acontecendo?
A projeção do IBGE aponta que, até 2030, o número de pessoas idosas no país superará, pela primeira vez, o de crianças e adolescentes com até 14 anos e até 2050, o Brasil será o sexto país do mundo com maior população idosa.
Muito assustador essas assertivas, e daí a pergunta que não quer calar? Diante desse cenário, estamos preparados para garantir os direitos e a dignidade dessa parcela crescente da sociedade?
Envelhecer com dignidade deve ser um direito, não um desafio. No entanto, os dados mostram que o aumento da população idosa não tem sido acompanhado pela ampliação de políticas públicas eficazes e de acesso universal.
O resultado disso é uma geração de pessoas que vive mais, mas muitas vezes sem o apoio do Estado, da família ou da sociedade, exposta a negligências, violência patrimonial, abandono e exclusão.
Essas pesquisas revelam que o idadismo ou etarismo tem consequências graves e de longo alcance para a saúde, custando bilhões de dólares à sociedade.
Esses tipos de discriminação a que todos estamos sujeitos a enfrentar durante a vida, está associada à piora na saúde física e mental, ao maior isolamento social, à solidão, à maior insegurança financeira, à redução na qualidade de vida e à morte prematura.
O idadismo tem sido menos estudado nos jovens, tendo havido menos relatos na literatura, mas vem sendo notificado em várias áreas, inclusive nas relacionadas com emprego, saúde e habitação.
Durante todo o curso da vida, o idadismo interage com o capacitismo, o sexismo e o racismo, criando um acúmulo de desvantagens.
O que se observa é uma preocupante combinação entre a judicialização da vida e o abandono social. Falta informação, falta estrutura de acolhimento e, principalmente, falta uma política nacional sólida que trate o envelhecimento da população como eixo central do planejamento público.
É preciso reforçar a compreensão de que a proteção à pessoa idosa não se limita ao combate à violência. Ela envolve o acesso pleno a direitos fundamentais: moradia digna, saúde, convivência familiar, transporte, lazer e justiça. Não se pode deixar à margem da própria sorte, não se pode aceitar que envelhecer traga o ostracismo e a invisibilidade.
Ao reconhecer o envelhecimento como um desafio coletivo, reafirmamos também a importância de fortalecer as instituições que tornam os direitos efetivos, reconheça como direitos humanos e manutenção e resgate da cidadania.
As políticas públicas precisam assegurar que os brasileiros e brasileiras que chegam à terceira idade não sejam esquecidos pelas políticas públicas, nem silenciados pelo sistema de justiça.
O futuro do Brasil será cada vez mais grisalho. Que ele seja também mais justo, mais inclusivo e mais comprometido com quem tanto já fez por este país.
Que possamos caminhar de braços dados com os idosos e suas experiências inestimáveis, usufruindo de sua sapiência e proporcionando condições de vida digna até seu último suspiro, sem discriminação e com muito respeito e carinho, sem medo de ser feliz!
*Dra. Iacita Azamor Pionti – Advogada, Coordenadora Municipal da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande-MS e presidente do Conselho Municipal da Mullher





