Liliane de Souza Bonfim, Leise Aparecida Cruz e Ludmila Pedro | (reprodução)
Com certeza, o MS DELAS não gostaria de estar noticiando esses casos, mas, infelizmente, a prática da violência contra as mulheres ainda é uma realidade evidente em nosso Estado e País.
O fim de semana em que foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, domingo (8), foi marcado por casos de violência que chocaram Mato Grosso do Sul. Ao menos três feminicídios foram confirmados no Estado e outra morte passou a levantar suspeitas após relatos de agressões, ampliando o alerta sobre a violência contra mulheres. MS já soma 7 feminicídios em 2026.
As vítimas são Liliane Aparecida de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, Leise Aparecida Cruz, de 41 anos e Ereni Benites, de 44 anos. Além delas, a morte de Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, registrado como suicídio, passou a ser questionada por familiares e amigos nas redes sociais.
Enfermeira morreu após ser atacada com martelo pelo marido
O caso que mais repercutiu no Estado foi o da enfermeira Liliane Aparecida de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, vítima de feminicídio após ser brutalmente agredida pelo próprio marido, um subtenente do Corpo de Bombeiros. O ataque ocorreu na casa da família, em Ponta Porã no dia 3 de março.
Segundo a investigação, o militar atacou Liliane com golpes de martelo após uma discussão entre o casal. No momento da agressão, os três filhos da vítima, adolescentes de 17, 13 e 11 anos, estavam na residência. Antes de perder a consciência, a enfermeira conseguiu pedir que eles corressem para a rua para buscar ajuda.
Os jovens saíram desesperados pedindo socorro e vizinhos entraram na casa. Testemunhas relataram que encontraram o suspeito ainda golpeando a esposa, em um cenário descrito como de extrema violência, com muito sangue espalhado pelo local. Dois dos filhos também chegaram a ser atingidos durante o ataque e sofreram ferimentos na cabeça.
Liliane foi socorrida e encaminhada em estado gravíssimo para atendimento médico em Dourados, onde permaneceu internada por alguns dias. No entanto, ela não resistiu aos ferimentos e morreu na sexta-feira (6). Após a confirmação da morte, a família autorizou a doação de órgãos da vítima.
O autor do crime foi preso em flagrante após tentar fugir, mas acabou contido por moradores da região. Ele chegou a ser hospitalizado por ferimentos sofridos durante a tentativa de fuga e posteriormente foi transferido para um presídio militar em Campo Grande, onde permanece à disposição da Justiça.
A morte da enfermeira foi registrada como o quinto feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul.
Mulher foi morta pelo marido que tentou simular morte natural
Poucos dias depois, outro caso de feminicídio veio à tona, desta vez no município de Anastácio, na sexta-feira (6). A vítima foi identificada como Leise Aparecida Cruz, de 41 anos, assassinada dentro da própria casa.
Inicialmente, o caso chegou ao conhecimento da polícia como um encontro de cadáver sem sinais aparentes de violência. O próprio marido da vítima afirmou que a mulher teria morrido de causas naturais, tentando sustentar essa versão aos investigadores.
No entanto, o trabalho da perícia e os primeiros exames necroscópicos levantaram suspeitas de morte violenta. Diante dos indícios, a Polícia Civil passou a tratar o caso como feminicídio e aprofundou as investigações.
Confrontado novamente pelos investigadores e diante das contradições em seu depoimento, o homem acabou confessando o crime. Segundo ele, o casal discutia quando a agressão ocorreu. O suspeito relatou que segurou a esposa pelo pescoço e a empurrou contra a parede, ação que resultou na morte da mulher.
Após a confissão, o homem recebeu voz de prisão e foi levado para a delegacia, onde permanece à disposição da Justiça. O crime foi confirmado pela Polícia Civil no próprio Dia Internacional da Mulher, elevando para seis o número de feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul em 2026.
Mulher morre em incêndio e caso é investigado como feminicídio em Paranhos
Uma mulher de 44 anos, identificada como Ereni Benites, morreu após um incêndio atingir sua residência em uma aldeia indígena de Paranhos, no sul de Mato Grosso do Sul, na madrugada de domingo (8).
De acordo com a Polícia Civil, antes do incêndio a vítima estava em uma casa próxima ingerindo bebida alcoólica com outras pessoas e, em seguida, retornou para sua residência. Algum tempo depois, o imóvel foi tomado pelo fogo e Ereni morreu no interior da casa.
A ocorrência foi registrada como feminicídio e um homem de 52 anos aparece como envolvido no caso. As pessoas que estavam com a vítima antes do incêndio devem ser ouvidas pela polícia para ajudar a esclarecer as circunstâncias do ocorrido.
A perícia foi acionada e o caso segue em investigação pela Delegacia de Polícia de Paranhos.
Morte de jovem passa a levantar suspeitas após vídeos sobre agressões
Outro caso que ganhou repercussão no fim de semana foi a morte de Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos. A jovem morreu no sábado (7) após ingerir água que continha cocaína.
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio pelas autoridades. No entanto, novos elementos começaram a surgir após amigos da vítima compartilharem nas redes sociais vídeos gravados pela própria Ludmila.
Nas gravações, a jovem relatava episódios de agressões e conflitos com o namorado, o que levantou questionamentos sobre as circunstâncias de sua morte. No velório de Ludmila neste domingo (8), amigos e familiares lamentaram a morte e contestaram a versão do namorado.
7 feminicídios em MS em 2026
- Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista
- Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá
- Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim
- Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas
- Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morreu em 06/03
- Leise Aparecida Cruz, de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio
- Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos
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