O roteiro é repetitivo, mas o choque é sempre novo. Na madrugada dessa terça-feira (3), logo após a vitória contra o Madureira, o Flamengo anunciou o desligamento de Filipe Luís do comando técnico. O que parecia ser o início de uma era baseada em “DNA rubro-negro” e conceitos modernos de futebol, terminou da mesma forma que as últimas passagens de medalhões: com uma nota fria e um ambiente fragmentado.
O “Surreal” virou rotina
Não há como fugir da análise de Julio Gomes, do UOL: a demissão de Filipe Luís beira o surreal. Estamos falando de um profissional que conhece cada centímetro do CT, que tem o respeito tático da Europa e o carinho da arquibancada.
O problema é que o Flamengo, como instituição, parece sofrer de uma “insatisfação crônica”. Mesmo quando tenta mudar a filosofia, a diretoria recorre ao velho hábito de queimar etapas ao primeiro sinal de instabilidade. Filipe não caiu apenas pelos resultados em campo, mas porque o clube continua sendo o mesmo “moedor de carne” de sempre. A estrutura política do Flamengo engole qualquer projeto de longo prazo, não importa o quão brilhante seja a mente por trás dele.
Faíscas no vestiário e o “Enigma” de Luiz Araújo
Como se a crise técnica não bastasse, o componente extracampo entrou em cena para incendiar ainda mais as redes sociais. Logo após o anúncio da saída de Filipe, o atacante Luiz Araújo publicou um post enigmático que foi interpretado por muitos como uma “indireta” ao agora ex-técnico.
A publicação gerou revolta imediata em parte da torcida, que vê no gesto uma falta de respeito com um ídolo histórico. Se o clima no vestiário já estava desgastado, a saída de Filipe Luís escancara que a relação entre comando e atletas estava por um fio. Quando o jogador se sente à vontade para postar “enigmas” no momento da queda de um treinador, o sinal de alerta sobre a hierarquia do clube deveria estar no volume máximo.
O que sobra para o Flamengo?
Demitir Filipe Luís é admitir que o planejamento para 2026 ruiu antes mesmo de chegar ao seu ápice. O Flamengo volta à estaca zero, buscando um nome que consiga equilibrar o ego de um elenco estrelado com a pressão asfixiante de uma diretoria que prioriza o imediatismo em vez da construção de um legado.
Diário 24h





