Alta na tributação acelera montagem de elétricos no Brasil. – Foto: Rodolfo Buhrer/Divulgação.
Comprar um veículo elétrico ou híbrido no Brasil tende a pesar mais no bolso em 2026. A partir de julho, o imposto de importação sobre esses modelos chegará à alíquota máxima de 35%, encerrando o processo de aumento gradual iniciado em 2024 pelo governo federal com o objetivo de estimular a produção nacional.
Atualmente, ainda estão em vigor os percentuais definidos em julho do ano passado: 30% para carros híbridos, 28% para híbridos plug-in e 25% para elétricos. Com a nova etapa do cronograma, todos esses segmentos passarão a ser tributados no teto previsto, o que deve impactar diretamente o preço final ao consumidor.
A elevação dos tributos foi adotada como medida de proteção à indústria local, diante do crescimento acelerado das importações, principalmente de marcas chinesas, que chegaram ao país com valores competitivos e conquistaram espaço no mercado interno. O governo aposta que o encarecimento dos importados incentive montadoras a instalar ou ampliar linhas de produção no Brasil.
Esse movimento já começa a aparecer. A chinesa BYD iniciou a montagem nacional de modelos como Dolphin Mini, King e Song Pro e anunciou que o Song Plus também será produzido na unidade de Camaçari, na Bahia, ainda neste ano. A estratégia permite reduzir custos e compensar parte do impacto do imposto.
A GWM segue caminho semelhante e produz o SUV Haval H6 na fábrica de Iracemápolis, em São Paulo, antiga planta da Mercedes-Benz. Outra aposta é o Chevrolet Spark, cuja fabricação foi confirmada para o município de Horizonte, no Ceará.
Especialistas do setor avaliam que a nacionalização de parte da produção pode amenizar o aumento de preços, mas não deve impedir reajustes, especialmente em modelos que continuarão sendo trazidos do exterior. Para o consumidor, o segundo semestre deve marcar um novo cenário no mercado de eletrificados, com valores mais altos e maior peso da produção local na oferta disponível.
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