Foto: Divulgação / Laboratório Cristália
Imagine ouvir de um médico que você nunca mais sentirá seus pés tocarem o chão ou que o movimento das suas mãos ficou no passado… Para milhares de brasileiros, esse diagnóstico soa como uma sentença definitiva. Mas, no silêncio dos laboratórios da UFRJ, uma descoberta com DNA 100% nacional está provando que o “impossível” pode ser apenas uma questão de tempo e… ciência.
Estamos falando da Polilaminina. Ela não é apenas um nome técnico; para quem vive em uma cadeira de rodas, ela está representando a chance de uma segunda vida!

A grande barreira de uma lesão na medula é que os neurônios, uma vez rompidos, ficam perdidos, sem saber para onde crescer. A Polilaminina, desenvolvida pela Dra. Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), age como um “mapa”. Extraída da placenta humana, essa proteína cria um caminho biológico que pega os neurônios pela mão e os ajuda a atravessar a cicatriz da lesão.
Em termos simples, ela funciona como uma “ponte” ou um “andaime” biológico. Quando aplicada no local da lesão, ela permite que os neurônios (axônios) encontrem um caminho para crescer e se reconectar, algo que o corpo humano não consegue fazer sozinho em lesões graves na medula.
É, literalmente, a construção de uma ponte onde antes só havia um abismo.
A notícia que trazemos neste início de 2026 é de arrepiar: a Anvisa deu o sinal verde definitivo para os testes clínicos oficiais. Isso significa que o que era uma pesquisa de laboratório agora está se tornando um tratamento real, com o apoio do laboratório Cristália.
Os resultados colhidos até aqui são promissores. Não estamos falando apenas de estatísticas, mas de pessoas que voltaram a sentir o toque, que recuperaram o controle das funções básicas e que, com muita fisioterapia, voltaram a ficar de pé.
Até o momento, o Brasil contabiliza uma trajetória de vitórias graduais:
No estudo inicial da UFRJ, 8 pacientes foram os primeiros a receber a substância. O impacto foi histórico: 75% deles apresentaram melhoras que a medicina tradicional não conseguia explicar.
Nos últimos meses, o movimento ganhou força com 3 pacientes (no Rio, ES e MG) conseguindo o tratamento via liminar, movidos pela urgência da vida.
Estima-se que cerca de 15 brasileiros já tenham a Polilaminina correndo em suas medulas, abrindo caminho para os centenas que virão com os novos testes autorizados em janeiro.

No Espírito Santo, um jovem de 24 anos, que se feriu após bater a cabeça em uma pedra durante um mergulho em uma cachoeira, apresentou recuperação de sensibilidade e movimentos nos membros superiores menos de duas semanas após receber tratamento experimental com polilaminina.
O procedimento foi realizado pelos médicos Olavo Borges Franco, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Bruno Alexandre Côrtes, chefe do serviço de neurocirurgia da cidade do Rio de Janeiro, referências nacionais no uso da polilaminina.
Segundo Olavo Borges Franco, o fator tempo foi decisivo para o resultado obtido.
“O paciente sofreu uma fratura cervical grave e a lesão foi classificada como lesão medular completa. Conseguimos realizar a aplicação em menos de 72 horas após o trauma, o que está dentro da chamada janela terapêutica ideal. Quanto mais cedo a intervenção, maior a redução do processo inflamatório e maior a chance de preservar neurônios”.
De acordo com o pesquisador, a evolução clínica do jovem é considerada excepcional. Em apenas dez dias após a aplicação da polilaminina, o paciente já apresentava ganhos neurológicos significativos, como a capacidade de flexionar e estender os braços, vencer a força da gravidade, movimentar as mãos e recuperar sensibilidade até a região da clavícula, nos membros superiores e até a cintura. (Fonte: Folha Vitória).
Em MS
Em Mato Grosso do Sul, um militar tetraplégico de Dourados foi operado na última quarta-feira (21) recebendo a aplicação do medicamento experimental polilaminina. Segundo a equipe responsável pela cirurgia, a operação foi um sucesso e ele deverá receber alta já nesta quinta-feira (22).
A expectativa de melhora em um mês, é baseada no que já ocorreu com outros pacientes que participaram de estudo clínico ou que conseguiram liminar na Justiça para fazerem a cirurgia mesmo com o medicamento ainda não aprovado, segundo o neurocirurgião do Hospital Souza Aguiar, do Rio de Janeiro (RJ), Bruno Cortez.
“Todos eles tiveram já algum grau de melhora e até melhora precoce, o que surpreendeu a gente, tanto do ponto de vista sensível como no motor. Foi mais rápido do que a gente esperava”, relatou o médico.
O primeiro caso a repercutir no Brasil foi o de Bruno Drummond, bancário que sofreu um acidente de trânsito em 2018 e ficou tetraplégico. Hoje, segundo o médico, ele “corre até maratona” e ficou com sequelas mínimas. A recuperação dos movimentos foi de 98% em relação ao que havia perdido.
O paciente participou de estudo e foi acompanhado pela equipe após a cirurgia. A primeira evolução ocorreu rapidamente. “O Bruno mexeu o dedo do pé com três semanas [de cirurgia]. Em sete meses deu um primeiro passo, em um ano a um ano e meio voltou a andar. Fez fisioterapia plena por dois anos, chegou a fazer quatro sessões por dia. Nessa fase da fisioterapia a gente tem que insistir”, descreveu o neurocirurgião.
As melhores chances são nas situações em que a polilaminina é injetada na medula em até 72 horas após a pessoa sofrer a lesão, segundo divulgaram a equipe de pesquisadores e o laboratório Cristália, que desenvolve a droga em parceria com a universidade. No entanto, os estudos mostraram que há resultados em casos de lesões mais antigas, como é o caso do militar.
Qualquer grau de recuperação é interessante, continua Cortez. “Se a gente conseguir que os pacientes simplesmente consigam se alimentar, já é um ganho fantástico. A gente fez os estudos nos pacientes crônicos e os ganhos deles sempre foram na funcionalidade”, diz.
Também médico e pesquisador na UFRJ, Olavo Franco acompanhou o procedimento em Campo Grande. Ele afirmou que o militar deverá iniciar sessões de fisioterapia o mais rápido possível. “As sessões vão estimular a regenerar o neurônio que está lesado e direcioná-la para que seja efetiva, para que essas conexões sejam funcionais, tragam um movimento e sensibilidade adequada para esse paciente, module o cérebro dele para ele viver com essas novas conexões e melhore a qualidade de vida dele”, finaliza. (Fonte: Campo Grande News).
É importante dizer que, segundo os estudos, a cirurgia é mais eficaz quando feita logo após o trauma (fase aguda), mas pesquisadores também estudam a aplicação em casos crônicos (lesões antigas), com resultados que variam conforme a dedicação à fisioterapia.
Olga Cruz
*Com informações também do Laboratório Cristália.





