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Porque o autocuidado emocional é o melhor plano para 2026

O início de um novo ciclo costuma ser acompanhado por uma lista de metas externas: o novo projeto na carreira, o início da academia, a organização financeira. Há dez anos, uma campanha nascida no Brasil convida o mundo a olhar para ‘dentro’ antes de planejar o ‘fora’. O Janeiro Branco não é apenas uma data no calendário de saúde; é um movimento social dedicado a convidar as pessoas a pensarem sobre suas vidas e a qualidade dos seus laços e pensamentos.

A escolha do mês e da cor não é por acaso. Janeiro é o “portal” do ano, um mês em que as pessoas estão mais propensas a revisões existenciais. O branco simboliza a folha de papel em branco, onde podemos projetar e escrever novas trajetórias.

A importância de falarmos sobre saúde mental deixou de ser uma pauta secundária para se tornar uma prioridade global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão já é a principal causa de incapacidade em todo o mundo. Estimativas recentes apontam que quase 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental.

No Brasil, o cenário exige atenção redobrada. Dados da OMS revelam que somos o País com a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo: cerca de 9,3% da população brasileira convive com a ansiedade em níveis patológicos. Esses números não são apenas estatísticas; são vizinhos, colegas de trabalho, familiares e, muitas vezes, nós mesmos.

Um dos maiores erros da nossa sociedade moderna foi separar a saúde “do pescoço para baixo” da saúde “do pescoço para cima”. Como bem afirma o psicólogo e criador da campanha Janeiro Branco, Leonardo Abrahão: “Quem não cuida da mente, não cuida de nada. A saúde mental é a base de todas as nossas escolhas, relações e produtividade.”

Estudos da Universidade de Harvard reforçam que a saúde mental e a física estão intrinsecamente conectadas. O estresse crônico e a ansiedade não tratada elevam os níveis de cortisol, o que pode levar a doenças cardiovasculares, diabetes e enfraquecimento do sistema imunológico. Por isso, investir na mente é, literalmente, investir na longevidade do corpo.

É normal “não estar sempre bem”

Falar de saúde mental profissionalmente exige tecnicidade, mas falar dela humanamente exige pessoalidade. Precisamos normalizar o fato de que “não estar bem” faz parte da experiência humana. A vulnerabilidade não é um sinal de fraqueza, mas um ponto de partida para a resiliência.

Em um mundo hiperconectado, onde as redes sociais muitas vezes nos obrigam a performar uma felicidade ininterrupta, o Janeiro Branco nos oferece a permissão para pausar.

Um estudo publicado na revista científica The Lancet destaca que o apoio social e a quebra do estigma são os fatores que mais aceleram a recuperação de pacientes com transtornos mentais. Isso significa que ouvir alguém sem julgamentos pode ser tão vital quanto o tratamento clínico.

Cuidar da saúde mental não significa necessariamente a ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com eles de forma saudável. Algumas práticas fundamentais incluem: o autoconhecimento, para saber dentificar os gatilhos que geram estresse e ansiedade; Impor limites, é aprender a dizer “não” para proteger sua energia e tempo. Buscar ajuda profissional de um psicoterapeuta não é apenas para momentos de crise, mas para o fortalecimento emocional contínuo. E por fim, procurar particar a desconexão digital, criando períodos de silêncio longe das notificações e do ruído das telas.

Onde buscar ajuda em MS

Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento de sofrimento emocional, Mato Grosso do Sul dispõe de uma rede estruturada para acolhimento e tratamento. A saúde mental é um direito e o acesso pode ser feito de diversas formas:

1. Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS/UBSF): São a porta de entrada. Se você sente que sua saúde mental está afetada, o primeiro passo é procurar o posto de saúde mais próximo de sua casa para uma avaliação inicial e encaminhamento.
  • CAPS (Centros de Atenção Psicossocial): O estado conta com diversas unidades de CAPS (I, II, AD para álcool e drogas, e i para crianças e adolescentes). São unidades especializadas que atendem pessoas com sofrimento mental grave e persistente. Em Campo Grande e nas principais cidades do interior, o atendimento é por demanda espontânea ou encaminhamento.

2. Atendimento de Urgência e Emergência

  • UPAs e CRSs: Em casos de crises agudas ou risco de vida, as Unidades de Pronto Atendimento e Centros Regionais de Saúde 24h estão preparados para o primeiro acolhimento e estabilização.
  • GAV – Grupo Amor Vida: Uma organização não governamental de MS que presta apoio emocional e prevenção do suicídio. O atendimento é gratuito e sigiloso via telefone: (67) 3383-4112 ou (67) 99266-6560.

3. Apoio Nacional (Acesso em MS)

  • CVV (Centro de Valorização da Vida): Disponível em todo o território nacional, inclusive em MS. Basta discar 188. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias, de forma gratuita.

4. Projetos Acadêmicos e Clínicas-Escola

  • Instituições como a UFMS, UCDB e Uniderp costumam oferecer atendimento psicológico à comunidade por meio de suas clínicas-escola, com valores sociais ou gratuitos, realizados por estudantes sob supervisão de professores.

*Que este Janeiro Branco seja o ponto de partida para um ano de mais autocompaixão. Que possamos entender que a mente é o lugar onde a nossa vida acontece e que, sem o devido cuidado com essa estrutura, os prédios que tentamos construir lá fora dificilmente permanecerão de pé. O mundo precisa de nós saudáveis, mas, acima de tudo, precisamos estarmos bem para nós mesmos. Que em 2026, a nossa saúde mental, seja a nossa prioridade!

Olga Cruz

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