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Risco de tumor cerebral leva anticoncepcional a ser alvo de processo judicial

Nos Estados Unidos, o anticoncepcional hormonal injetável comercializado como Depo‑Provera está no centro de uma ação judicial.

Um estudo divulgado na revista científica Expert Opinion on Drug Safety em julho de 2025 revela que mulheres que utilizaram esse medicamento por mais de um ano enfrentam risco elevado — cerca de 3,5 vezes maior — de desenvolver meningiomas em comparação com aquelas que optaram por contraceptivos orais.

  • O meningioma é um tipo de tumor que se forma nas meninges, as membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal.
  • É um dos tumores mais frequentes do sistema nervoso central, afetando principalmente pessoas entre 40 e 60 anos, embora também possa ocorrer em crianças e idosos.
  • Entre os tumores cerebrais, é o único que é mais comum em mulheres.
  • Embora geralmente benigno, pode pressionar áreas sensíveis do cérebro, causando sintomas como convulsões, alterações na visão ou fala, dificuldades cognitivas e, em casos mais graves, levar a um acidente vascular cerebral (AVC).

acetato de medroxiprogesterona, princípio ativo do Depo‑Provera, é administrado por injeção intramuscular a cada três meses. Esse método contraceptivo hormonal é amplamente utilizado por milhões de mulheres em mais de 100 países e também é empregado no tratamento de condições como endometriose, sangramentos uterinos anormais e como parte de terapias hormonais durante a menopausa.

“Temos atendido clientes com AVC, distúrbios convulsivos, deficiências cognitivas e outros danos. A cirurgia também pode ser desafiadora, e alguns tumores não são operáveis devido à sua localização e tamanho”, afirmou o advogado Chris Paulos.

Ele representa parte dos pacientes que moveram ações e foi nomeado um dos responsáveis pelo processo coletivo relacionado ao Depo-Provera nos Estados Unidos.

O advogado destaca que a seriedade dos efeitos relatados e o tempo de uso do anticoncepcional justificam o elevado número de ações individuais, além da ação coletiva em curso, que já responde por mais de 500 processos contra a fabricante.

Outro estudo, publicado em março de 2024 no British Medical Journal, reforça a relação entre o uso prolongado do acetato de medroxiprogesterona e o surgimento de tumores. A pesquisa demonstrou que mulheres que utilizaram a substância por um ano ou mais apresentaram um risco até cinco vezes maior de desenvolver meningiomas.

Uma investigação adicional realizada por uma universidade americana comparou diferentes formas de administração do hormônio. Os resultados mostraram que a versão injetável do anticoncepcional esteve associada a um aumento de 53% na probabilidade de desenvolvimento do tumor, enquanto a forma oral não apresentou a mesma associação.

Estudos complementares também apontam que a interrupção do uso do hormônio pode levar à regressão do tamanho dos tumores, o que reforça o alerta sobre os riscos potenciais do uso prolongado.

A farmacêutica Pfizer, responsável pela produção do Depo-Provera, enfrenta diversas ações judiciais nos Estados Unidos movidas por pacientes que relatam efeitos adversos relacionados ao uso do medicamento.

Em nota ao portal Metrópoles, a fabricante declarou que não comentaria o estudo, por não ser de sua autoria, mas destacou sua confiança no anticoncepcional. Segundo a empresa, o perfil de segurança do Depo-Provera permanece bem estabelecido.

“A empresa reafirma a segurança e a eficácia do Depo-Provera, que já foi utilizado por milhões de mulheres em todo o mundo e continua sendo uma opção importante de tratamento para mulheres que desejam gerenciar sua saúde reprodutiva. A bula atual do produto contempla todos os potenciais eventos adversos do medicamento e segue as orientações das agências regulatórias do Brasil e do mundo”, afirmou a Pfizer.

Apesar das declarações da fabricante, especialistas e grupos de pacientes vêm solicitando uma atualização na bula do medicamento, especialmente nos Estados Unidos, onde ainda não há advertência explícita sobre o risco de meningiomas. Em países como Reino Unido, Canadá e nações da União Europeia, essas informações já constam nos rótulos.

O caso reacende o debate sobre transparência na comunicação dos efeitos colaterais de medicamentos e reforça a importância de escolhas informadas quando se trata de saúde reprodutiva. Embora o risco absoluto ainda seja considerado baixo, a exposição prolongada a hormônios de alta potência exige acompanhamento médico rigoroso e avaliação contínua de riscos e benefícios.

O Segredo

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