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Traiu uma vez, vai trair de novo? Pesquisas mostram que o risco é 3 vezes maior

A ideia de que “quem trai uma vez, trairá sempre” é um dos ditados mais populares quando o assunto é relacionamento. Mas será que essa máxima resiste ao escrutínio científico? Pesquisadores da área de psicologia e comportamento humano têm se debruçado sobre essa questão para entender se a infidelidade é um erro pontual ou um traço de comportamento recorrente.

O estudo mais emblemático sobre o tema foi publicado na revista acadêmica Archives of Sexual Behavior. Liderada pela psicóloga Kayla Knopp, a pesquisa acompanhou 484 adultos em relacionamentos heterossexuais por um período de cinco anos.

A Estatística do “3x Mais”

Os resultados foram reveladores e confirmaram que o comportamento passado é, de fato, um forte preditor do futuro:

  • Reincidência: Pessoas que foram infiéis em seu primeiro relacionamento tiveram três vezes mais chances de trair novamente em seu relacionamento seguinte, em comparação com aquelas que sempre foram fiéis.
  • O trauma da suspeita: O estudo também descobriu que pessoas que foram traídas no passado têm quatro vezes mais chances de suspeitar (ou descobrir) que seus novos parceiros também as estão traindo.
  • O peso da desonestidade: Aqueles que sabiam que seus parceiros haviam sido infiéis no passado relataram níveis significativamente menores de confiança e satisfação desde o início da nova relação.

Por que a reincidência acontece? A visão da Neurociência

Além do comportamento social, a biologia pode oferecer uma explicação. Um estudo publicado na Nature Neuroscience sugere que o cérebro pode se “adaptar” à mentira e à traição através de um processo chamado adaptação emocional.

A Amígdala e a Culpa

Quando mentimos ou traímos pela primeira vez, a amígdala (a parte do cérebro responsável pelas respostas emocionais) gera uma forte reação de culpa ou desconforto. No entanto, o estudo mostrou que:

  1. A cada nova mentira, a resposta da amígdala diminui.
  2. O cérebro se torna “dessensibilizado” à desonestidade.
  3. Com menos culpa biológica, fica mais fácil para o indivíduo repetir o comportamento sem o peso emocional que sentiu da primeira vez.

Existe exceção? Nem todo erro é um padrão

Embora as estatísticas apontem para um risco maior de repetição, especialistas em terapia de casal fazem uma distinção importante entre o “traidor em série” e o “traidor situacional”.

  • O Traidor em Série: Utiliza a infidelidade como um mecanismo de validação de ego ou vício em novidade. Este perfil tem as maiores taxas de reincidência.
  • O Traidor Situacional: Alguém que traiu devido a uma crise profunda, falta de maturidade ou circunstâncias específicas e sentiu um remorso genuíno. Nestes casos, quando há terapia e mudança de comportamento, a ciência mostra que a pessoa pode aprender com o erro e nunca mais repeti-lo.

“A infidelidade passada é um fator de risco, não uma sentença definitiva”, afirmam terapeutas familiares. A capacidade de assumir a responsabilidade total pelo erro (sem culpar o parceiro) é o maior indicador de que a traição não se repetirá.


Para entender se um parceiro que traiu está genuinamente arrependido ou se está apenas aprimorando táticas de ocultação, a psicologia comportamental aponta critérios claros. O arrependimento real exige uma mudança estrutural de caráter, enquanto a “maquiagem” do comportamento visa apenas evitar a punição.

Aqui estão os sinais de alerta e os indicadores de mudança real, baseados em estudos de dinâmica de casais:

Sinais de Alerta

Se você notar os comportamentos abaixo, o risco de reincidência permanece alto, pois a raiz do problema não foi tratada:

  • A “Defesa do Ataque”: Quando questionado sobre inconsistências, o parceiro reage com raiva ou acusa você de ser “louco(a)” ou “paranoico(a)”. Isso é conhecido como gaslighting.
  • Arrependimento Focado nas Consequências: Ele(a) diz coisas como “sinto muito que você tenha descoberto” ou “não acredito que isso está estragando minha vida”. O foco está no sofrimento dele(a) por ter sido pego, não na dor que causou a você.
  • Sigilo Seletivo: O parceiro concorda em ser “aberto”, mas muda senhas constantemente, mantém o celular sempre virado para baixo ou deleta conversas de forma compulsiva “para não causar brigas”.
  • Fuga da Responsabilidade: Atribui a traição a fatores externos: “eu estava bêbado”, “o relacionamento estava ruim” ou “foi ela/ele que deu em cima”. Sem a posse total do erro, a porta para a repetição continua aberta.

O Termômetro da Mudança

AtitudeArrependimento GenuínoApenas Escondendo
FocoNa dor do parceiro traídoNa própria culpa/vergonha
ComunicaçãoAberta a perguntas difíceisEsquiva e defensiva
CelularAcesso livre e sem tensãoSenhas mudadas ou “esquecidas”
MudançaConsistente a longo prazoIntensa no início, mas some após a crise

*Com informações de pesquisa realizada por Esther Perel, terapeuta de casais e autora de “The State of Affairs: Rethinking Infidelity”. Dr. John Gottman, do Gottman Institute (referência mundial em estabilidade conjugal).

Fonte: O Segredo Oficial

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