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Vídeos falsos e IA acendem alerta para eleições de 2026

Vídeos de candidatos dizendo algo que nunca disseram, áudios produzidos artificialmente e imagens capazes de enganar até quem está acostumado a navegar pela internet. A inteligência artificial generativa colocou a desinformação eleitoral em um novo patamar em 2026, segundo alerta do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O órgão lançou nesta terça-feira (22) a segunda edição do Guia Internet, Democracia e Eleições, oito anos depois da primeira publicação. Desta vez, as chamadas deepfakes e outras ferramentas de inteligência artificial ocupam o centro da discussão.

A popularização dessas tecnologias tornou mais simples produzir imagens, áudios e vídeos sintéticos com alto grau de realismo, sem exigir conhecimento técnico avançado. Para o CGI.br, essa facilidade abre espaço para a produção em larga escala de materiais desinformativos durante o processo eleitoral.

Desinformação mudou desde 2018

Não foi apenas a tecnologia usada para fabricar conteúdos falsos que mudou. Quando a primeira edição do guia foi publicada, em 2018, boa parte da preocupação estava concentrada na circulação das chamadas fake news em redes sociais abertas.

O cenário descrito agora é mais complexo. A desinformação circula simultaneamente por diferentes plataformas e também alcança ambientes mais fechados de comunicação. Além disso, vídeos e conteúdos manipulados ganharam espaço na estratégia de disseminação de informações enganosas.

O CGI.br também chama atenção para o funcionamento dos sistemas de recomendação das plataformas. O conteúdo que aparece para cada usuário não é distribuído de maneira aleatória: algoritmos selecionam e priorizam publicações a partir de diferentes informações e sinais de comportamento.

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Eleitores vão às urnas em outubro em eleições gerais – Foto: Reprodução

Para Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, entender essa estrutura passou a ser parte importante da discussão sobre informação e democracia.

“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem.”

Quando o falso parece verdadeiro

Um dos principais desafios apontados pelo guia está justamente no realismo das deepfakes.

Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial, conteúdos fabricados podem reproduzir rostos e vozes e criar situações que nunca aconteceram.

O problema não se limita à possibilidade de uma pessoa acreditar em um vídeo falso. Segundo o guia, a proliferação desse tipo de material também pode gerar uma desconfiança generalizada, fazendo com que conteúdos verdadeiros sejam colocados em dúvida.

Nesse ambiente, crenças anteriores também interferem na maneira como as informações são recebidas. O documento aborda a chamada racionalidade motivada, fenômeno em que as pessoas tendem a aceitar informações compatíveis com aquilo em que já acreditam e rejeitar aquelas que confrontam suas convicções.

Chatbots também entram no alerta

As ferramentas de inteligência artificial usadas para conversar com usuários também aparecem entre os pontos analisados.

Diferentemente de mecanismos tradicionais de busca, que normalmente apresentam uma lista de páginas e fontes, sistemas conversacionais conseguem reunir informações e apresentá-las diretamente em uma resposta personalizada.

Por isso, o CGI.br discute os riscos relacionados à origem, confiabilidade e transparência das informações eleitorais apresentadas por essas ferramentas.

O guia ainda aborda sistemas de recomendação, perfilamento de usuários, microdirecionamento de conteúdo e os modelos de negócio das plataformas digitais.

Como evitar cair em conteúdo falso

Além de analisar os riscos, a publicação traz orientações para reduzir a possibilidade de usuários se tornarem vítimas ou propagadores de desinformação.

Antes de compartilhar um vídeo, áudio, imagem ou mensagem, a recomendação é observar a origem da informação, procurar outras fontes confiáveis e desconfiar de conteúdos que tentem provocar uma reação emocional imediata.

A segunda edição do guia é dividida em cinco partes e reúne explicações sobre plataformas digitais, inteligência artificial generativa, combate institucional à desinformação e cuidados que podem ser adotados pelos próprios usuários.

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