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Violência Política contra as mulheres

Neste período em que estamos com uma eleição a frente para disputa de cargos na esfera estadual e federal, muito importante trazer esse tema a ser discutido e refletido.

No dia 1’3 de agosto acontecerá o 2º. Simpósio promovido pelo Fórum Nacional pela paridade institucional e política das mulheres, que tradicionalmente traz temas desta envergadura.

Desta feita não será diferente, posto que no próximo pleito de outubro muitas mulheres estarão colocando seus nomes para disputa eleitoral aos cargos de deputadas estaduais, deputadas federais e como vices governadoras.

E não se podei deixar de refletir sobre a temática neste momento e refletir sobre todas as condições em que elas se encontram para assumir uma disputa de tal naipe e com todas as dificuldades que se lhes apresenta.

Pouco apoio dos partidos políticos, dos familiares, dos amigos e da rede de apoio que por vezes precisa contar para ter a mínima condição e ir para uma campanha política e conseguir alinhar sua vida pessoal, financeira, profissional com a exigência de sua participação de palanques, viagens, eventos, etc.

A cobrança por deixar seus filhos, sua casa e outros afazeres que tradicionalmente a sociedade lhe impõe como obrigação e responsabilidade.

E se além de mulher, for negra, deficiente ou com outras limitações, então a situação se intensifica a discriminação seja por parte do eleitor ou dos próprios pares candidatos é muito maior e difícil de ser vencida.

É necessário reconhecer ainda que a questão racial se cruza com muitos outros aspectos da identidade de uma pessoa, incluindo orientação sexual, identidade de gênero, nacionalidade e deficiência, em especial quando se trata da mulher, dai a importância de se debater os desafios na implementação de políticas de direitos das mulheres, as quais devem ter caráter estruturante, de transversalidade e interseccionalidade. 

Sabemos que nós mulheres estamos na media proporcional de 50% no mercado de trabalho, no ensino superior, dentro dos partidos políticos e somos mais de 50% do eleitorado, no entanto, ocupamos apenas 12 a 15% das cadeiras do legislativo e executivo.

Esse quadro nos permite dizer que ainda temos muito a caminhar e avançar no firme propósito de dar tratamento equânime a todas as pessoas, independentemente de raça, credo ou gênero, em âmbito institucional, familiar e político, com absoluto repúdio a qualquer prática discriminatória, racista, misógina ou preconceituosa que porventura ainda persista em se manifestar.

Precisamos que todas as instituições do sistema político eleitoral se comprometam em mudar o cenário atual, e debates como esses precisam ser constantes e inspiradores para ações positivas futuras.

Cabe ressaltar que o tema há duas décadas tem sido trabalhado pela ONU e vem ganhando espaço no TSE, TRE e em outras instituições, alcançando a sociedade que passa a observar essa disparidade e reconhecer que temos que progredir nessa equidade.

No entanto, ainda nos deparamos diariamente com notícias de primeira mulher a ocupar um cargo como se estivesse recebendo uma medalha, mas embora os desafios persistam, essas mulheres estão quebrando barreiras e como disse Kamala Harris ao tomar posse como vice presidente dos EUA, “embora eu seja a primeira mulher neste posto, não serei a última.” Isso nos acalenta e dá forças para progredir acreditando de que não será a última.

Os espaços de poder e a paridade não podem causar espanto, devem ser normalizados e rotineiros, para que tenhamos um mundo mais justo e equânime.

As painelistas prescindem de elogios, Drª. Izabela Damasceno, Desembargadora Drª. Sandra Artioli, Drª. Silmara Amarilla e Drª. Angélica Fontanari que com suas informações e conhecimentos por certo nos embriagarão de conhecimento e nos permitirão sair do Simpósio com mais brilho no olhar e esperança no futuro pelo alcance da paridade, sem violência de gênero.

Em frente, plantando tâmaras, pelo caminho do sol e sem medo de ser feliz!

Dra. Iacita Azamor Pionti – Advogada e Coordenadora Municipal da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande-MS

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