O mercado de academias em Mato Grosso do Sul vive um período de forte expansão. Dados da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) mostram que, entre 2015 e 2025, além dos números parciais de 2026, foram abertas 1.197 academias em todo o Estado, enquanto 631 empresas encerraram as atividades no mesmo período. O saldo positivo é de 566 estabelecimentos, o que representa um número de aberturas 89,7% maior do que o total de extinções registradas ao longo da série histórica.
Os dados indicam uma aceleração do setor principalmente nos últimos anos. Em 2015, foram abertas 60 academias no Estado. Já em 2025, o número saltou para 182 novas empresas, crescimento de 203% em comparação ao início da série.
Ao mesmo tempo, os encerramentos também cresceram, mas em ritmo menor. Em 2015, foram registradas 15 extinções. Em 2025, o número chegou a 68, aumento de 353%. Apesar disso, o volume de novas empresas permaneceu significativamente superior.
Outro destaque é o comportamento do mercado após a pandemia da Covid-19. Em 2020, primeiro ano da crise sanitária, Mato Grosso do Sul registrou 99 novas academias e 43 encerramentos. Já a partir de 2021, o setor retomou um ciclo contínuo de crescimento nas constituições, chegando a 125 aberturas em 2024 e alcançando o recorde de 182 em 2025.
Os números parciais de 2026 também indicam continuidade da expansão: já são 101 novas academias abertas, contra 22 encerramentos.

Campo Grande concentra quase metade das academias abertas em MS
Campo Grande segue como principal polo do setor fitness em Mato Grosso do Sul. Dos 1.197 novos estabelecimentos registrados no Estado desde 2015, 548 foram abertos na Capital, o equivalente a 45,7% do total.
Já em relação às extinções, Campo Grande concentrou 356 dos 631 encerramentos estaduais, ou seja, 56,4%.
Mesmo assim, o saldo da Capital segue positivo. Foram 548 constituições contra 356 extinções, diferença de 192 academias.
O avanço também aparece nos números anuais. Em 2015, Campo Grande registrou 37 novas academias. Em 2025, foram 78, crescimento de 110,8%.
As extinções na Capital também aumentaram no período, passando de oito em 2015 para 30 em 2025. O maior pico de encerramentos ocorreu em 2018, quando 90 academias fecharam as portas em Campo Grande, representando sozinho 25% de todas as extinções da Capital em mais de uma década.
Procura por saúde impulsiona mercado fitness
Segundo o presidente do Conselho Regional de Educação Física da 11ª Região (CREF11), Joni Guimarães, o crescimento no número de academias está diretamente ligado ao aumento da procura por atividades físicas e cuidados com a saúde.
De acordo com Joni Guimarães, 2025 foi um ano especialmente expressivo para o segmento fitness em Mato Grosso do Sul.
“O Estado, principalmente Campo Grande, vem sendo procurado por franquias, que estão identificando Mato Grosso do Sul como um mercado com grande potencial na área fitness. A expectativa é que 2026 tenha números ainda maiores, porque o mercado está aquecido”, afirmou.
Ele destaca ainda que o principal impacto do crescimento do setor está relacionado à melhoria da saúde da população.
“Quanto maior o número de estabelecimentos oferecendo a prática do exercício físico orientado, melhor para a saúde coletiva. Só podemos falar em saúde se houver orientação de um profissional de Educação Física”, pontuou.
Segundo o presidente do CREF11, a pandemia também contribuiu para uma mudança de comportamento da população em relação à prática regular de exercícios.
“Após a pandemia, houve um reconhecimento maior da importância da atividade física. Ficou comprovado que uma das melhores formas de prevenção de doenças é praticando exercícios físicos com frequência. Não podemos deixar o vírus mais fraco, mas podemos tornar as pessoas mais fortes e resistentes”, declarou.
Fiscalização aumenta após crescimento do setor
Com o avanço no número de academias, também aumentaram os casos de irregularidades identificados pelo Conselho Regional de Educação Física.
Entre os principais problemas encontrados nas fiscalizações estão academias funcionando sem profissionais habilitados e estagiários atuando sem supervisão adequada.
“Nesses casos, o estabelecimento pode ser fechado e autuado por permitir funcionamento sem a presença de um profissional de Educação Física”, explicou Joni Guimarães.
Outro foco das ações do conselho é o combate ao exercício ilegal da profissão.
“Também encontramos pessoas sem qualquer capacidade técnica atuando como profissionais. Em algumas situações, precisamos atuar junto com a polícia para realizar o flagrante do exercício ilegal da profissão”, afirmou.
O presidente do CREF11 ainda pediu apoio da população para denunciar irregularidades por meio do canal de fiscalização via WhatsApp: (67) 99987-8366.
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