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Show do Guns N’ Roses expõe caos de mais de 25 anos no acesso ao Autódromo

Foto: Arquivo

O congestionamento registrado durante o show da banda Guns N’ Roses a menos de um mês reacendeu um problema antigo da mobilidade urbana de Campo Grande: o acesso ao Autódromo Internacional Orlando Moura. Mais de duas décadas após a inauguração do espaço, o principal gargalo viário da região continua sem solução definitiva.

As imagens das longas filas de veículos e dos fãs caminhando pela BR-262 para tentar chegar ao evento evidenciaram a dificuldade enfrentada por quem precisava acessar o local da apresentação. Houve relatos de pessoas que levaram mais de cinco horas para chegar ao autódromo e até de fãs que perderam o show por não conseguirem acessar o espaço a tempo.

O problema, no entanto, não é novo. Em 2001, durante a inauguração do autódromo, um evento automobilístico que reuniu cerca de 50 mil pessoas já havia provocado um enorme congestionamento pelo mesmo motivo: a existência de apenas um acesso principal pela BR-262.

Congestionamento na BR-262 em 2001
Congestionamento na BR-262 em 2001

Na época, aproximadamente 20 mil veículos ficaram presos no trânsito e milhares de pessoas tentaram chegar a pé ao local das provas. Passados 25 anos, a situação praticamente se repete.

Uma das alternativas estudadas para aliviar o fluxo de veículos na BR-262 é a criação de um novo acesso passando pela região da Chácara dos Poderes.

Moradores reivindicam melhorias viárias na região há mais de 15 anos. A área conta com cerca de 1,5 mil chácaras e aproximadamente 300 famílias residentes.

O projeto começou a ganhar forma em abril de 2024, quando a Prefeitura de Campo Grande publicou decreto declarando áreas de utilidade pública para desapropriação na região.

A proposta prevê a implantação de obras viárias e de infraestrutura, incluindo a construção de um viaduto e o alargamento da Rua Água Azul, a partir da Avenida Alexandre Herculano, além da ampliação da Rua EW2. A expectativa é de que o novo acesso ajude a desafogar o trânsito na BR-262 e melhore a ligação com o anel viário.

Apesar disso, especialistas avaliam que a medida, sozinha, não resolverá o problema de mobilidade urbana na região.

O engenheiro ambiental Antônio Carlos Silva, morador da Chácara dos Poderes, afirma que a obra seria importante, mas insuficiente.

“Isso vai facilitar o acesso, mas quase exclusivamente para quem mora na EW2. O restante da chácara, a princípio, vai continuar precário porque não existe previsão de outras melhorias”, afirmou.

Outra obra considerada fundamental para melhorar o fluxo na região é a duplicação da BR-262, prevista no contrato da concessionária responsável pela rodovia.

Para o arquiteto e urbanista Fayez José Rizk, com 48 anos de profissão, faltou planejamento urbano para adaptar as vias ao crescimento da cidade e ao aumento da frota de veículos.

“Campo Grande tem o hábito de sair na última hora para eventos e quer chegar de automóvel até o local. Hoje, a cidade praticamente tem um carro para cada dois habitantes. Isso já não é mais possível”, avaliou.

Moradores da Chácara dos Poderes, Jardim Noroeste e bairros vizinhos também aguardam melhorias para reduzir acidentes, principalmente no cruzamento da Rua Água Azul com a BR-163, no trecho do anel viário.

Em nota, a Motiva Pantanal informou que 16 quilômetros do anel viário de Campo Grande passaram recentemente por obras de restauração do pavimento e melhoria da sinalização.

Sobre a duplicação do perímetro urbano da BR-163, a concessionária afirmou que a obra está prevista para ser entregue até agosto de 2030, no quinto ano da concessão.

Já aconcessionária Caminhos da Celulose informou que estão previstas obras de duplicação da BR-262 no trecho que compreende o autódromo de Campo Grande. As intervenções devem ocorrer entre o segundo e o sexto ano de operação da concessão.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para comentar os projetos de acesso à Chácara dos Poderes, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.

Audiências no Procon

Um mês após o show do Guns N’ Roses em Campo Grande, o Procon Mato Grosso do Sul começou nesta quarta-feira (13) as audiências de conciliação com consumidores que afirmam não ter conseguido assistir à apresentação realizada no dia 9 de abril.

Mais de 230 fãs procuraram o órgão para relatar dificuldades de acesso ao evento, principalmente por conta dos congestionamentos registrados nas vias de chegada ao Autódromo Internacional Orlando Moura.

Além das audiências já agendadas, a empresa organizadora do evento, a Santo Show, aderiu à Carta de Informação Preliminar Eletrônica (CIP-E) do Procon.

Na prática, os próximos consumidores que registrarem reclamações deverão receber resposta da empresa em até 10 dias.

A superintendente do Procon-MS, Patrícia Mara da Silva, explicou que as audiências seguem normalmente e que os processos administrativos continuarão tramitando mesmo nos casos sem acordo.

“O consumidor já tem data e horário agendados para as audiências. Quando não há acordo, ele recebe toda a documentação necessária para buscar seus direitos”, afirmou.

Segundo ela, a adesão da empresa à CIP eletrônica deve acelerar a comunicação entre consumidores e organizadora do evento.

“A empresa passa a receber diretamente, por e-mail, cada reclamação registrada e deve apresentar resposta em até 10 dias. Isso torna o processo mais rápido e amplia a possibilidade de acordo”, explicou.

O Procon orienta que os consumidores apresentem documentos que comprovem a compra dos ingressos, além de fotos, vídeos e outros elementos que demonstrem as dificuldades enfrentadas para acessar o show.

As reclamações podem ser feitas presencialmente no órgão ou pela internet, por meio do site oficial do Procon-MS.

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