Você já sentiu que o seu relacionamento amoroso estava meio fora dos trilhos? Ou, ao contrário, notou que o outro tentava sutilmente controlar os seus passos, o seu jeito de vestir, as suas amizades e até os seus pensamentos?
Essa dinâmica, embora dolorosa, é mais comum do que se imagina. A linha que separa o zelo saudável da vigilância sufocante é fina e, muitas vezes, invisível para quem está dentro da relação. É sobre os limites do controle, a importância da autonomia e os desafios de manter a individualidade a dois que se debruça o novo episódio do Podcast da Semana, que recebe a psicanalista e escritora Ana Suy.
A armadilha do “par perfeito”
No cerne das crises conjugais que envolvem o controle, quase sempre existe um desejo inconsciente de simetria. Como pontua Ana Suy: “Quando a gente ama, queremos que esse alguém seja muito parecido com a gente”.
O problema é que essa busca pela semelhança absoluta esconde uma armadilha narcísica. Queremos que o parceiro valide nossas próprias escolhas, gostos e visões de mundo. Quando o outro se desvia desse roteiro imaginário, o desconforto aparece. É aí que o cuidado — que deveria ser proteção e acolhimento — se transforma em controle, uma tentativa de moldar o parceiro para que ele caiba em um molde que nunca foi dele.
“A gente quer alguém que caiba na nossa fantasia. Só que, no fim das contas, quem cabe nessa fantasia é um ser idealizado”, alerta a psicanalista.
O luto da idealização
Amar, sob a ótica psicanalítica, é um exercício constante de suportar a frustração de que o outro é uma pessoa inteira, complexa e diferente de nós. Quando desconsideramos a personalidade do parceiro, deixamos de nos relacionar com o ser real para interagir com um personagem da nossa própria mente.
O controle nasce justamente do medo dessa alteridade. Controlar o passo do outro, ditar com quem ele deve falar ou como deve agir é uma tentativa desesperada de evitar o risco que todo amor traz: o risco de não termos garantias.
Cultivar a individualidade para salvar o encontro
Para que um relacionamento seja maduro e saudável, é preciso que haja espaço para a solidão de cada um. O amor verdadeiro não anula a biografia de ninguém; ele a estende. Quando há o respeito à autonomia, o casal deixa de ser um espelho de cobranças e passa a ser uma janela de descobertas.
Para entender como identificar esses sinais de alerta na sua rotina e aprender a equilibrar o afeto sem sufocar a liberdade, não perca a conversa completa.
Olga Cruz





