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Após 36 anos, Copa revive semifinais exclusivas de campeões mundiais

A era dos intrusos chegou ao fim na América do Norte. Com Argentina, Inglaterra, França e Espanha garantidas no G4, o Mundial resgata uma exclusividade de gigantes que não se via desde a Itália em 1990

A Copa do Mundo de 2026 guardou para a sua reta final o roteiro mais aristocrático possível. Após edições marcadas por surpresas históricas e “zebras” encantando o planeta — como o Marrocos em 2022 ou a Croácia em 2018 —, o maior torneio de futebol da Terra fechou suas portas para os aventureiros. Nas semifinais desta edição, o peso da camisa e o brilho das estrelas no peito falaram mais alto.

Argentina, Inglaterra, França e Espanha são as quatro forças que restaram de pé. Juntas, elas somam 7 títulos mundiais e estabelecem um feito que o futebol não testemunhava há exatamente 36 anos: uma semifinal composta única e exclusivamente por seleções que já ergueram a cobiçada Taça FIFA.

O fantasma de 1990

Para encontrar um cenário de tamanho elitismo no futebol, é preciso viajar no tempo até a Copa de 1990, na Itália. Naquela ocasião, os quatro semifinalistas eram Argentina, Inglaterra, a anfitriã Itália e a Alemanha Ocidental (que viria a ser campeã).

Desde então, o “G4” da Copa sempre abriu espaço para seleções que buscavam o Olimpo pela primeira vez. Romênia, Bulgária, Croácia, Turquia, Coreia do Sul e Marrocos desafiaram a lógica ao longo das últimas décadas, mas em 2026 a ordem natural das potências foi restaurada.

Choques de ordem histórica e camisas pesadas

Os confrontos desenhados para os gramados norte-americanos exalam história e rivalidade.

No primeiro duelo, França e Espanha reeditam a semifinal da Eurocopa de 2024. Os franceses, sob o comando cirúrgico de Didier Deschamps, buscam sua terceira final consecutiva de Copa — feito raríssimo na era moderna —, amparados na solidez defensiva que não sofreu gols no mata-mata e no poder de decisão de Kylian Mbappé.

Do outro lado, a Espanha de Luis de la Fuente joga o futebol mais técnico e fluido da competição, ditado pelo ritmo de jovens talentos e uma precisão cirúrgica.

Na outra chave, o confronto entre Argentina e Inglaterra ultrapassa as quatro linhas. É o reencontro de uma das rivalidades mais bélicas e místicas do futebol mundial, reacendendo as memórias de 1986, de Diego Maradona, da “Mão de Deus” e do Gol do Século.

A Albiceleste de Lionel Messi chega calejada, após sobreviver a duas prorrogações dramáticas (contra Cabo Verde e Suíça), carregando a casca de atual campeã. Já o English Team avança com a marca da resiliência: arrancou classificações no sufoco, buscou viradas na bola e na raça com Jude Bellingham, e tenta desesperadamente dar fim a um jejum de 60 anos sem o título mundial.

Semifinais (Horário de Brasília)

DataHorárioConfrontoEstádio / Cidade
14 de Julho (Terça)16:00🇫🇷 França x EspanhaEstádio de Dallas (Arlington, TX)
15 de Julho (Quarta)16:00🏴 Inglaterra x ArgentinaEstádio de Atlanta (Atlanta, GA)

O funil da maior Copa de todos os tempos se estreitou da forma mais nobre possível. Não há mais espaço para o impossível ou para o conto de fadas do azarão. Nos Estados Unidos, o futebol reservou seus dias finais para os donos da história. Que vençam os gigantes.

Olga Cruz

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