Foto: Arquivo Correio do Estado
Morreu, na madrugada desta segunda-feira (13), o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, aos 60 anos. O ex-chefe do Executivo da Capital estava preso desde o dia 24 de março por matar o servidor público Roberto Carlos Mazzini, a tiros. Ele voltou a ser internado na Santa Casa neste domingo (12) após passar mal no presídio. A nova internação ocorreu um dia depois da Justiça negar o pedido de prisão domiciliar.
No início deste mês, o ex-prefeito precisou passar por uma cirurgia após sofrer um infarto. Com a alta hospitalar, Bernal foi levado de volta ao Presídio Militar da Capital.
Na última sexta-feira (10), a Justiça indeferiu um pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa, que alertou para a necessidade de repouso domiciliar por um período mínimo de 30 dias após três procedimentos cirúrgicos para desobstrução de artérias, com a implantação de stents. A defesa de Bernal alegou que a estrutura do presídio não é adequada para o tratamento pós-cirúrgico.
Na noite de sábado (11), o ex-prefeito teve um mal-estar no Presídio Militar, sofreu um desmaio e foi levado novamente para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa. Conforme apurado, Bernal passou por um procedimento cirúrgico na madrugada desta segunda (13) e não resistiu.
Trajetória de Alcides Bernal
Alcides Jesus Peralta Bernal nasceu em Corumbá, no dia 14 de julho de 1965, foi um advogado, radialista e político, sendo o 62.º Prefeito de Campo Grande. Sua carreira política foi marcada por controvérsias, incluindo processos de impeachment e batalhas legais.
Em 2004, foi eleito vereador em Campo Grande e presidiu a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito. Em 2008, foi reeleito e passou a comandar a Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. Já em 2010, foi eleito deputado estadual.
Em 2012, foi eleito prefeito e permaneceu no cargo até 2014, quando teve o mandato cassado. Na época, era filiado ao Partido Progressistas (PP).
Dos 29 vereadores, 23 votaram a favor da cassação por irregularidades em contratos emergenciais. Com a decisão, ele perdeu o mandato, e o vice-prefeito, Gilmar Olarte, assumiu a prefeitura.
A denúncia foi apresentada por dois empresários à Câmara Municipal em 30 de setembro de 2013. Eles apontaram contratações emergenciais sem justificativa. A denúncia foi aceita, e uma comissão processante foi criada para investigar o caso.
No processo, Bernal afirmou que não havia provas de irregularidades. Durante a votação, usou a tribuna para se defender e disse que agiu para proteger o interesse público.
Em 2015, voltou ao cargo por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Por dois votos a um, os desembargadores determinaram o retorno em agosto daquele ano, um ano e cinco meses após a cassação. Ele permaneceu até o fim do mandato, em 2016.
Após a decisão, afirmou que “a Justiça pode tardar, mas não falha”, em entrevista à reportagem.
Ele concorreu à reeleição em 2016, mas não chegou ao segundo turno, ficando de fora por 2.630 votos.

Despedida
O velório do ex-prefeito Alcides Bernal, acontecerá a partir das 11h desta segunda-feira (13) no Cemitério Jardim das Palmeiras, localizado na Av. Tamandaré, nº 6934 – Jardim Seminário.
A cerimônia de despedida terá duração de 5h, com sepultamento agendado para as 16h.
Câmara decreta luto
A notícia da morte provocou manifestações de pesar de autoridades e instituições. Em nota oficial, a Câmara Municipal de Campo Grande lamentou o falecimento de Alcides Bernal e destacou sua contribuição para a política da Capital.
Bernal exerceu dois mandatos como vereador de Campo Grande, entre 2005 e 2008 e de 2009 a 2010. Em 2010, foi eleito deputado estadual e, dois anos depois, venceu as eleições para a Prefeitura de Campo Grande, assumindo o comando do Executivo municipal em 2013.
Em razão do falecimento, o presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto, decretou luto oficial de três dias no âmbito da Casa de Leis. Durante o período, a bandeira permanecerá hasteada a meio-mastro em homenagem ao ex-prefeito.
Da Redação





