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A doutrina do resultado: Reinaldo Azambuja e a ciência de vencer eleições

O cenário político de Mato Grosso do Sul não está sendo apenas desenhado; está sendo meticulosamente calculado. Em uma nova entrevista concedida ao podcast “Política de Primeira”, o ex-governador e atual presidente regional do Partido Liberal (PL), Reinaldo Azambuja, deixou claro que a política de 2026 não será feita com “varinha mágica”, mas com o pragmatismo de quem trocou o conforto da aposentadoria pública pela linha de frente da articulação partidária.

Desde que assumiu o comando do PL no Estado, a convite direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, Reinaldo Azambuja tinha uma missão clara: institucionalizar o partido. O resultado da última janela partidária é a prova de que a estratégia tem dado resultado. O PL consolidou-se como a maior bancada da Assembleia Legislativa de MS, com sete deputados estaduais.

“A gente mostrou essa capacidade de aglutinação. Tinha muita especulação que o PL vai encolher, que teria uma debandada… eu acho que nesse período a gente conseguiu dialogar, mostrando aos filiados que a força é o conjunto que faz o resultado”, afirmou Reinaldo.

Mas Reinaldo não se contenta com o presente. A meta para as eleições de 2026 é audaciosa e estratégica: manter a hegemonia no Legislativo Estadual (com projeção de 7 a 8 cadeiras) e ampliar a voz sul-mato-grossense na Câmara Federal, mirando até três deputados federais. É a montagem de uma base sólida para sustentar os projetos majoritários.

“A gente tem condições tranquilo de eleger sete a oito [estaduais]… e nós vamos lutar para fazer de dois a três deputados federais e deputadas”.

Senado

Reinaldo não se esquiva do embate, mas recusa o papel de “ungido”. Ao oficializar sua pré-candidatura ao Senado, o líder do PL impôs uma condição técnica que já se tornou sua marca registrada: o crivo das pesquisas.

Ao lado de nomes como Marcos Pollon e Capitão Contar, Azambuja submete o próprio capital político à frieza dos números que a Executiva Nacional colherá em maio. É a política do resultado sobrepondo-se ao ego, um movimento estratégico para evitar fissuras na base aliada.

“Eu posso colocar o meu nome como um pré-candidato, o deputado Pollon, a vice-prefeita Adriane e o Contar… Mas nós vamos olhar as pesquisas qualitativamente e quantitativamente. Lá em julho, na convenção, poderemos montar uma chapa coesa”, explicou.

Ele ainda reforçou que a decisão final passa pelo comando nacional: “A decisão ela é congressual. Todas as candidaturas majoritárias do PL passam pelo crivo da executiva nacional… eles vão opinar para aquilo que é melhor para o Mato Grosso do Sul”.

Para Reinaldo, o Senado não é um prêmio de consolação, mas uma plataforma de reformas. Se eleito, ele promete levar a Brasília a discussão sobre a revisão do pacto federativo, especialmente no que tange ao custo do sistema prisional para estados de fronteira como MS, e a modernização da logística nacional, com foco em hidrovias e ferrovias.

Alianças: Riedel, Flávio e Tereza Cristina

A estratégia de Azambuja transcende as divisões ideológicas ruidosas e foca na viabilidade eleitoral. O projeto central é a reeleição de Eduardo Riedel, visto como a continuidade de um modelo de gestão eficiente. No plano nacional, o apoio a Flávio Bolsonaro é incondicional, mas Reinaldo acrescenta um elemento de equilíbrio: a defesa da senadora Tereza Cristina como vice na chapa presidencial.

O projeto central é a manutenção do modelo de gestão atual e o apoio à chapa de Flávio Bolsonaro. Reinaldo destacou a importância da senadora nesse tabuleiro nacional:

“A Tereza é uma pessoa que é uma pequena gigante. Uma grande gestora… é uma pessoa do diálogo, da conciliação, mas de posição firme. Eu defendo com unhas e dentes o nome da Teresa [para vice de Flávio] pelo que ela representa no meio da produção nacional”.

Visão de Estado

O ex-governador pretende levar ao Senado uma agenda focada em competitividade e justiça fiscal. Ele criticou duramente o atual governo federal, citando o “inchaço” ministerial: “O governo hoje tem 38 ministérios. Eu te garanto que o Lula não conhece nem todos os ministros… a máquina está inchada”.

Sobre a segurança pública e o custo do sistema prisional em MS, Reinaldo foi enfático:

“Mato Grosso do Sul é o estado que mais apreende drogas do Brasil. A gente apreende a droga e fica com o traficante, que na maioria das vezes não é daqui. O povo sul-mato-grossense paga para ele ficar no sistema… isso tem que ser pago pela União”.

Ao ser questionado sobre a divisão da direita e a saída de nomes como João Henrique Catan, Azambuja pregou a união para evitar o avanço da esquerda.

“Para ganhar uma eleição da esquerda, que está unida, a gente precisa unir a direita e o centro. A inteligência leva ao resultado. Se nós unirmos nossas forças, podemos ter um bom resultado. Se nos dividirmos, quem ganha é a esquerda”, concluiu.

*Pela entrevista, e também pelo rumo em que a política de MS vem tomando, o que se vê é um Reinaldo Azambuja em sua melhor forma de estrategista. Vemos, que ele não busca apenas o voto; ele busca o equilíbrio das forças que movem a economia do Estado. Ao centralizar as decisões em critérios técnicos e pesquisas, ele reduz o espaço para o amadorismo e força o arco de alianças (PP, União Brasil, MDB e PSDB) a convergir para um centro equilibrado de poder que, hoje, passa inevitavelmente por suas mãos. 2026 já começou, e Reinaldo Azambuja está várias rodadas à frente!

Confira a entrevista na íntegra:

Olga Cruz

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