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Corrida pelo Governo de MS começa a se estruturar com 6 nomes no tabuleiro político

Foto: gerada por IA

Embora o calendário oficial ainda reserve alguns meses até as convenções partidárias, as engrenagens para a sucessão estadual de 2026 em Mato Grosso do Sul já operam em ritmo acelerado. O desenho preliminar da disputa pelo comando da Governadoria aponta para um cenário de fragmentação e forte reposicionamento de forças, com ao menos seis nomes se movimentando nos bastidores.

O centro de gravidade desse tabuleiro é o atual chefe do Executivo sul-mato-grossense, Eduardo Riedel (PP), que se posiciona de forma natural para tentar a renovação do mandato.

O xadrez das migrações partidárias e a busca pelo Centro

O movimento mais estratégico deste período pré-eleitoral foi protagonizado pelo próprio governador. A saída de Eduardo Riedel do PSDB para se filiar ao Progressistas (PP) não foi um mero trâmite burocrático, mas um realinhamento geopolítico expressivo. Ao se ancorar no PP, Riedel busca blindar e expandir sua base aliada, dialogando tanto com o agronegócio de vanguarda — sua base histórica — quanto com os partidos de centro que compõem a sustentação do governo federal. Nos bastidores, a ordem é consolidar a ampla coalizão que o elegeu em 2022 e evitar defecções em direção às franjas mais radicais do eleitorado.

No campo progressista, a principal aposta vem do Partido dos Trabalhadores (PT), que carimbou o nome do ex-deputado federal Fábio Trad como pré-candidato. Trad também passou por um processo recente de desfiliação do PSD para assumir a linha de frente petista no estado. A estratégia da federação liderada pelo PT é ambiciosa: costurar o apoio de partidos alinhados à Esplanada dos Ministérios, interiorizar o debate com foco em programas sociais e tentar unificar o voto de centro-esquerda, tradicionalmente desafiado pela forte presença conservadora em solo sul-mato-grossense.

Liberais, conservadores e o debate ideológico

A direita e o espectro liberal também se organizam para tentar furar o bloqueio governista. O deputado estadual João Henrique Catan assume a pré-candidatura pelo Partido Novo. Egresso do PL, Catan optou pela nova sigla para encampar uma narrativa puramente voltada à responsabilidade fiscal, ao liberalismo de mercado e à severa crítica à máquina pública. Sua atuação no Parlamento tem servido de vitrine para pavimentar o nome junto ao eleitorado urbano e às fatias que demandam um enxugamento do Estado.

Mais à direita, o Democracia Cristã (DC) aposta no perfil técnico do economista Renato Gomes. Sem a robustez financeira ou o tempo de TV dos grandes blocos, Gomes tenta consolidar seu nome por meio de pontes diretas com lideranças comunitárias e setores conservadores independentes, focando no discurso de austeridade e ética na administração.

Como alternativas fora dos grandes eixos de polarização, Jeferson Bezerra, pelo Agir, atua na construção de uma via popular, buscando diálogo direto com a periferia e movimentos de base que se sentem distantes do debate institucional.

Fechando o arco de opções, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) projeta a pré-candidatura de Lucien Rezende. A legenda deve manter a tradição de demarcar território no primeiro turno com uma plataforma voltada à sustentabilidade, direitos humanos e justiça climática, servindo como polo crítico tanto à atual gestão quanto às concessões programáticas da centro-esquerda.

O fator tempo e as coligações proporcionais

Cientistas políticos e as próprias lideranças locais são unânimes: o cenário atual é uma fotografia de largada, e não o filme definitivo. O amadurecimento das pré-candidaturas dependerá diretamente da engenharia das chapas proporcionais (deputados estaduais e federais), que funcionam como o verdadeiro combustível para as campanhas majoritárias no interior do estado.

Até as convenções partidárias, o jogo político em Mato Grosso do Sul passará pelo crivo de pesquisas qualitativas, pressões das Executivas Nacionais e, fundamentalmente, pela capacidade de cada bloco em manter seus aliados coesos. O eleitor sul-mato-grossense, por sua vez, começa a observar um estado dinâmico, onde os tradicionais blocos de poder testam novas roupagens para os desafios que se avizinham.

Olga Cruz

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