MS Delas

Search
Close this search box.
22°C

Esther Perel revela o hábito oculto por trás da infidelidade

Foto: Redes Sociais

A infidelidade é um dos temas mais complexos, dolorosos e debatidos das relações humanas. Quando pensamos em traição, a tendência quase imediata é associar o ato a casamentos falidos, falta de amor ou problemas de convivência. De acordo com a renomada psicoterapeuta belga Esther Perel, reconhecida mundialmente como uma das maiores autoridades em relacionamentos e com mais de 45 anos de prática clínica, traz uma perspectiva que vira essa lógica do avesso.

Segundo Perel, autora dos best-sellers Mating in Captivity (Surgindo em Cativeiro) e The State of Affairs (Casos e Casos), existe um hábito comportamental e psicológico comum a praticamente todos os traidores. E, surpreendentemente, ele tem muito pouco a ver com o parceiro traído.

O Hábito de Buscar uma Nova Versão de Si Mesmo

De acordo com as observações e estudos de Perel, o hábito central de quem trai não é a busca por um novo corpo ou por um novo amor, mas sim o hábito de buscar uma nova versão de si mesmo.

Muitas pessoas que traem estão em relacionamentos estáveis, felizes e com parceiros que amam. O que elas buscam na infidelidade é uma fuga das responsabilidades, das rotinas e das identidades sufocantes que assumiram ao longo dos anos (como o papel de “provedor perfeito”, “mãe exemplar” ou “parceiro previsível”).

“Quando traímos, muitas vezes não estamos virando as costas para o nosso parceiro, mas para a pessoa em quem nos tornamos. Não estamos necessariamente procurando outro amante, mas outra versão de nós mesmos.”

Esther Perel

Os Pilares do Comportamento do Traidor

Para entender como esse hábito se manifesta no dia a dia, Perel destaca três fatores psicológicos que alimentam o comportamento de quem trai:

Fator PsicológicoComo se manifesta
Desejo de AutorenovaçãoO traidor usa o caso extraconjugal para se reconectar com partes esquecidas de sua personalidade (sua juventude, sua rebeldia ou sua espontaneidade).
A Busca pelo ProibidoO hábito de quebrar regras gera uma descarga de dopamina. Para muitos, o verdadeiro vício não é o sexo em si, mas a adrenalina do segredo e da transgressão.
Anestesia contra a MortalidadeA traição costuma acontecer após perdas significativas (morte de pais, crises de meia-idade ou diagnósticos de doenças). É o hábito de usar o erotismo como um antídoto contra a dor e o envelhecimento.

O Grande Mito: “Quem trai faz isso porque o relacionamento está ruim”

O trabalho de Esther Perel revolucionou a terapia de casais justamente por desmistificar a ideia de que a traição é sempre o sintoma de um casamento falido. Ela pontua que existem casais que se dão muito bem, têm uma vida íntima saudável e, mesmo assim, um dos lados acaba traindo.

A infidelidade, sob essa ótica, é uma crise de identidade. O hábito de buscar fora o que a pessoa sente que “morreu” dentro de si é o verdadeiro motor da traição. É a busca por atenção, por se sentir vivo e desejado novamente, livre das amarras do cotidiano.

É possível superar?

Para Perel, a traição é uma bomba atômica no relacionamento, mas não precisa ser o fim definitivo. Ela defende que muitos casais conseguem reconstruir a relação após um caso, transformando o trauma no início de um “segundo casamento” com a mesma pessoa — desta vez, com base em conversas muito mais honestas, profundas e realistas sobre os desejos e limites de cada um.

O Segredo

Você também pode gostar...