Ouvi dias atrás que a idade traz a liberdade de poder falar o que quer? E isto veio de uma pessoa relativamente jovem, mas que me pareceu querer sustentar uma liberdade sem responsabilidade, o que me fez refletir sobre o tema que mais uma vez me atrevo a dividir com vocês.
Como sempre sem nenhuma pretensão de ser a dona da verdade ou impor posicionamento pessoal, mas tão somente trazer ideias para reflexão.
Primeiramente lembrei da lição de meu saudoso e querido pai: “Deus nos deu 2 olhos, 2 narinas, 2 ouvidos, mas somente 01 boca” e concluía a lição de que essa sabedoria divina, era de que a fala deve ser usada na proporção de metade dos outros sentidos.
Ou seja, sua lição era de que devemos escutar mais, sentir mais e enxergar mais, antes de falar, e esta, na proporção de 50% (cinquenta por cento).
E me vem outra situação do dia a dia em que o etarismo discrimina os idosos, especialmente, pelas suas falas que soam como conselhos ou imposições em certas ocasiões, ou por colocação fora do contexto perante os mais jovens.
E partindo para o lado da sensatez e da velha e incansável busca pelo equilíbrio, inegável que o mais sensato é sempre pensar antes de falar. Filtrar os pensamentos antes de verbalizá-los evita mal-entendidos, protege relacionamentos e garante que a mensagem transmitida seja clara, assertiva e adequada ao local ou plateia.
Falar o que quer sem refletir pode afastar as pessoas, por outro lado pensar em excesso também pode travar a sua comunicação.
E de novo me vem o norte de minha vida, o equilíbrio, nesse caso a avaliação do impacto e o contexto das palavras a serem proferidas que podem ferir pouco ou muito, alcançar o objetivo ou não, passar despercebida ou ser analisada com cuidado esperado.
Refletindo afinal sobre o uso da fala, sua limitação e equilíbrio podemos concluir que pensar antes de falar evita arrependimentos uma vez que palavras ditas por impulso em momentos de raiva ou frustração são exageradas e por vezes fora de contexto, mas não podem ser apagadas.
Reservar alguns segundos para se preparar ou até redigir o que pretende transmitir ajuda a organizar as ideias e a se expressar melhor.
Permite avaliar como a outra pessoa vai receber e interpretar a sua mensagem.
Quem fala com ponderação transmite mais maturidade, segurança e credibilidade.
Importante também trazer lições do grande filósofo Sócrates sobre os filtros necessários para quem quer se expressar com equilíbrio e de forma eficiente e que continuam atuais.
Antes de dizer algo importante ou difícil, faça três perguntas rápidas a si mesmo:
1.É verdade? Eu tenho certeza do que estou prestes a falar?
2.É bom? O que vou dizer vai construir algo positivo ou apenas destruir?
3.É necessário? Essa fala realmente vai ajudar a resolver a situação?
Se a resposta for “não” para alguma delas, o melhor caminho costuma ser o silêncio ou a reformulação do texto.
Nesse sentido penso que a idade e a experiência de vida nos trazem o controle do impulso e não a liberdade desmedida e irresponsável de falar o que quer e ainda exigir que o outro escute e aceite.
E uma máxima que costumo repetir para manter o equilíbrio nas mais diversas situações – “não devemos querer ou fazer para os outros o que não queremos que nos façam.
E como advogada, importante lembrar que essa liberdade irresponsável pode ter consequências danosas, podendo ser caracterizadas como injuria, difamação ou calúnia, sem contar os crimes de injuria racial e racismo com penas restritivas de liberdade, além de multa pecuniária e restrição a cargos públicos.
Assim sendo, acredito que independentemente da idade cronológica, é melhor seguir em frente praticando a sensatez, equilíbrio e respeito, na cultura da paz, plantando tâmaras pelo caminho do sol, sem medo de ser feliz!
Dra. Iacita Azamor Pionti – Advogada e Coordenadora Municipal da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande-MS





