Umas das maiores reclamações por parte das empresas com a mudança nos comportamentos dos empregados ou colaboradores se refere à falta de compromisso com a empresa.
E isto faz com que o empregado mude de emprego com muita facilidade e por qualquer motivo que acredite estar em desacordo com sua personalidade ou percepção de direitos.
E a dificuldade dos empresários para manter uma equipe comprometida e consciente de seus deveres é uma constante e exige a tomada de algumas posições que nem sempre agradam a ambas as partes.
A falta de compromisso de um empregado exige uma ação gradual e documentada da empresa.
Esse processo envolve feedback claro, aplicação de advertências e suspensões, e, se persistir, pode resultar em demissão por justa causa por desídia.
É de bom alvitre que antes de qualquer punição, converse abertamente. Muitas vezes, a falta de compromisso está ligada a descontentamento, falta de reconhecimento ou problemas pessoais, o que pode ser verificado com a oitiva do colaborador e de forma conjunta alinhar expectativas e reforçar as metas da empresa.
Contudo, se a conversa não gerar mudanças, o empresário deve registrar tudo para evitar problemas trabalhistas futuros, como advertências escritas para atrasos reiterados, faltas não justificadas, além de descontar o dia não trabalhado.
A legislação trabalhista exige gradação nas penalidades e devem ser seguidas para efetivação dos direitos e evitar maiores problemas.
Portanto, cabe primeiramente a advertência verbal ou escrita para as primeiras infrações ou faltas injustificadas, posteriormente na persistência do comportamento a suspensão e como último recurso a demissão por justa causa.
A demissão por Justa Causa, como maior penalidade a ser atribuída a um empregado, deve se cercar de provas ou ser aplicada quando há um padrão contínuo e grave de desleixo, faltas repetidas e má vontade, a desídia, com a verificação da gradação das penas, aplicando as advertências e suspensões anteriormente.
Ao contrário do que muitos pensam, a falta de comprometimento pode não ser apenas resultado de uma personalidade preguiçosa. Inclusive, muitas vezes o indivíduo que age com descompromisso tem o desejo de trabalhar com mais afinco, mas a forma como o ambiente laboral está organizado contribui para essa falta de empenho.
Se o colaborador está inserido em um ambiente que o desmotiva, dificilmente conseguirá manter seu ânimo alerta para ser produtivo. Ao assumir uma postura descompromissada, o profissional deixa de ter relevância na empresa. O fato de não estar produzindo nada de significativo, faz com que o indivíduo não se destaque, não sendo valorizado pela empresa ou empregador.
Realmente se trata de via de mão dupla, as duas partes devem encontrar o equilíbrio desta relação. O empregado deve se sentir estimulado com possibilidades de progresso funcional e financeiro e o empregador apesar de seu poder diretivo, deve manter um ambiente saudável, metas claras, reconhecimento do trabalho e tratamento humanizado e justo para com seus colaboradores.
Que continuemos nossa caminhada pelo caminho do Sol e apesar das dificuldades, em frente sem medo de ser feliz!
Dra. Iacita Azamor Pionti – Advogada e Coordenadora Municipal da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande-MS





