Imagem: Canva
Denúncias de assédio sexual no trabalho cresceram 260% em quatro anos em Mato Grosso do Sul, segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT). O aumento está ligado à maior presença de mulheres no mercado de trabalho. Em Campo Grande, uma recepcionista afirma ter sido vítima de importunação sexual por mais de um ano dentro da empresa onde trabalhava. Segundo ela, o assediador era um colega que não aceitava ser subordinado a uma mulher mais jovem.
De acordo com o relato, o homem fazia comentários de teor sexual e usava frases ofensivas com frequência durante o expediente.
“Ele era um cara maior que eu, onde me importunava diariamente, todos os dias, com brincadeiras e frases de baixo calão. Enfim, acho que nenhuma mulher deve passar por isso.”
A vítima afirma que comunicou o caso à dona da empresa, mas diz que nenhuma medida foi tomada. O período, segundo ela, provocou crises emocionais e a obrigou a retomar acompanhamento psicológico.
Até hoje, a vítima afirma que convive com os efeitos do assédio.
“Eu sinto muito medo. Não consigo colocar nada no passado. São sentimentos que eu ainda vivo diariamente.”
O caso foi levado à Justiça do Trabalho. A defesa da vítima pede indenização por danos morais e a rescisão indireta do contrato de trabalho.
Segundo o advogado, a ação também busca a responsabilização dos envolvidos.
Crescimento das denúncias
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, os registros de assédio sexual cresceram mais de 260% em quatro anos.
Segundo o órgão, três fatores ajudam a explicar o aumento:
- maior presença de mulheres no mercado de trabalho;
- maior conhecimento de que o assédio é crime;
- mais denúncias feitas pelas vítimas.
Mesmo com o crescimento dos registros, o Ministério Público avalia que muitos casos ainda não chegam às autoridades. O medo de retaliação, de perder o emprego ou de não ser acreditada ainda impede parte das denúncias.
G1-MS





