MS Delas

Search
Close this search box.
27°C

O dia em que a cidade virou o centro do mundo e o Guns atrasou o meu lanche

Foto: Gerada por IA

Entre vias largas, canteiros arborizados, lindas praças, ruas esburacadas, e outras que formam colchas de retalhos com tantos remendos… quem vive em Campo Grande sabe que a nossa “Cidade Morena” tem o seu ritmo próprio. Mas, o que aconteceu nesta última quinta-feira, 9 de abril de 2026, foi um evento digno de filme de ficção científica, ou será que de logística e infraestrutura?!

Parecia que todos os caminhos do universo resolveram cruzar a Afonso Pena e a Duque de Caxias ao mesmo tempo. Entre o rugido dos carros, ‘ubers’, vans e ‘motoubers’ – rumo ao autódromo, e o berrante da Expogrande… a nossa Capital simplesmente transbordou!

Foi uma mistura de política, com o presidenciável Flávio Bolsonaro montando no cavalo e ovacionado pelos apoiadores, o romantismo sertanejo de Zezé Di Camargo e, claro, o furacão Guns N’ Roses.

O resultado? Um engarrafamento que faria qualquer paulistano chorar de inveja e uma cidade que não parou nem depois do “bis” de Axl Rose!

Nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp, o clima era de “cada um por si e o Google Maps contra todos”! Enquanto meus amigos e familiares postavam fotos dos bares lotados e do “after” que prometia virar o dia, eu estava em um universo paralelo, porém igualmente intenso.

O meu foco era o ensaio para o espetáculo de dança do ventre do Studio Nidal Abdul, que acontece agora neste sábado.

Após o esforço físico e a entrega artística, o plano era simples: um retorno sereno para casa, na paz do Senhor Jesus, com uma parada estratégica para repor as energias.

Escolhi o Rolê Burger, um refúgio gastronômico que considero o melhor da cidade, localizado estrategicamente na esquina de casa. O plano era o “fast food” em seu sentido literal: comer rápido e descansar na minha abençoada caminha juntamente com meus dogs sêniors: Popy e Scott.

Ledo engano. A paz foi testada pela espera. 15, 30, 50 minutos… o tempo passava e o melhor lanche da cidade, não vinha… A fome já estava começando a tocar guitarra no meu estômago quando o dono do lugar apareceu com aquela cara de quem tinha acabado de carregar um piano nas costas.

Pediu mil desculpas e disse que uma importante e grande encomenda tinha paralisado a produção!

Em tom de brincadeira, tentei ‘quebrar o gelo’: “Ah, mas também, vocês foram entregar lanches para o Guns!”.

Eu só não esperava que a resposta seria um “Sim!”

Com toda a convicção do mundo. Naquela esquina, longe do barulho do autódromo, a grandiosidade do evento havia me alcançado de forma inusitada e gastronômica. Pois é: a banda de rock mais famosa do planeta tinha escolhido justamente o meu “point” para matar a fome antes do show começar.

Na manhã seguinte, contando a proeza para minha colega e amiga Waléria Leite, ela logo se empolgou: “Nossa, que sorte! Pelo menos você comeu o lanche do Guns N’ Roses!”. Tive que rir e colocar as coisas nos devidos lugares: “Não, minha amiga… o Guns é que comeu o MEU lanche!”.

No fim das contas, fica a história para contar. Campo Grande provou que não é assim tão grande, mas que tem o coração grande, o suficiente para hospedar lendas do rock, astros do agro e políticos influentes, tudo ao mesmo tempo, sem levar em conta, é claro, a temida logística.

Campo Grande não apenas assistiu ao show; ela alimentou o espetáculo! E se o preço para ter Axl e Slash na cidade foi esperar pouco mais de uma hora pelo melhor hambúrguer, o sacrifício está aceito com resiliência. Só espero que eles tenham curtido o sabor de Campo Grande tanto quanto eu.

Que venha o sábado de dança, só que agora com uma história de bastidor que nem o melhor roteirista poderia prever!

Você também pode gostar...