Com um gostinho característico de quem cultiva boas memórias da infância, o sabor da água fresquinha oferecido pelo filtro de barro vai além da nostalgia. Na verdade, o item utiliza um sistema de purificação capaz de reter quase 100% das impurezas presentes no líquido.
Diferente de outros métodos, o filtro de barro preserva os minerais essenciais para a saúde. O segredo está na combinação do material com o método de filtragem, que simula um processo natural, como explica o professor de Arquitetura e Urbanismo, Alessandro Campos.
“Para mim, é mais ou menos o mesmo esquema de uma filtração natural, onde a gente pega a água lá embaixo da terra, no fundo do poço, onde ela vem sendo filtrada. Passa por um processo de filtração mais grosseira e, conforme vai indo para o mais profundo, tem uma filtração, digamos, mais fina”.
Estrutura e Funcionamento
O filtro é fabricado com argila (barro) que passa por queima, mas não recebe pintura ou verniz, preservando a porosidade necessária para a filtragem.
No interior, a peça chamada “vela” é a grande responsável por purificar a água, os modelos modernos contam, inclusive, com carvão ativado. A água desce lentamente por um orifício, realizando um processo de decantação em que as impurezas mais pesadas ficam retidas no fundo.
Além da pureza, o utensílio oferece um excelente custo-benefício por não depender de energia elétrica. Em regiões de altas temperaturas, a diferença é notável: mesmo no calor, a água permanece fresca devido às propriedades térmicas do barro.
“Para a população de um modo geral, independente de classe social, é uma opção muito boa, porque você não depende de energia para deixar uma água mais fresca. Além de ser barato, é de fácil manutenção”.
O único “preço” a se pagar pela qualidade é a paciência. Como o processo é lento, usuários planejam o consumo enchendo o reservatório à noite para garantir o abastecimento durante o dia. Essa rotina ajuda a manter viva a cultura do filtro de barro entre gerações, como ocorreu com o contador Heber Castilho.

“A nossa função quando criança, com cinco ou seis anos, era colocar água no filtro. Quando meu pai chegava em casa e não tinha água, ele dizia: ‘não é possível, vocês não fazem nada, não conseguem colocar água no filtro!’. Naquela época nem geladeira tinha, então pensa num menino que ficava bravo”, recorda Heber.
Na casa da avó do contador, existe um exemplar da década de 1970. Embora já não funcione como antes, o objeto segue no local como um guardião de lembranças.
“Faz parte da minha vida. Desde criança sempre tomamos água em filtro de barro. Na casa da minha avó, na casa da minha mãe. Sempre foi assim”.
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