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MS Supera ajuda estudantes a vencer a distância entre a universidade e o diploma

Ampliado pela gestão de Eduardo Riedel para 2,5 mil bolsas, programa oferece R$ 1.621 mensais a estudantes de baixa renda e ajuda a transformar dificuldades cotidianas em permanência no Ensino Superior

Quando perdeu a mãe para a Covid-19, em 2021, Leonel Hamana Figueiredo viu o sonho de se tornar médico ser interrompido. O abalo emocional veio acompanhado das dificuldades financeiras, e ele acabou trancando o curso de Medicina na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Três anos depois, em 2024, Leonel conseguiu uma bolsa do MS Supera e voltou à universidade. O benefício mensal ajudou a sustentar uma rotina que, para muitos estudantes, depende de despesas aparentemente simples — transporte, materiais acadêmicos e até contas básicas de casa —, mas que podem decidir se uma graduação continua ou termina antes do diploma.

“Eu não tinha dinheiro, às vezes, para pagar a conta de água, quanto mais para ir para Ribeirão Preto”, contou. Depois de retornar ao curso, Leonel foi aprovado em segundo lugar na seleção da Maternidade Cândido Mariano, onde realizou estágio em Obstetrícia durante um ano. Também passou um mês no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

“O programa, para mim, além de me manter numa universidade federal, em um curso de Medicina, me deu a oportunidade de ressuscitar o meu sonho de me tornar um médico. Serei um médico e cuidarei de pessoas”, afirmou.

Histórias como a de Leonel ajudam a dimensionar o desafio enfrentado pelo MS Supera, programa que oferece auxílio financeiro a estudantes de baixa renda matriculados em universidades públicas e particulares ou em cursos de educação profissional técnica.

Na gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, o programa ganhou mais 500 vagas e passou a atender 2,5 mil estudantes em Mato Grosso do Sul. Cada beneficiário recebe atualmente R$ 1.621 por mês.

A política parte de um problema que não termina com a aprovação no vestibular: para estudantes de famílias de baixa renda, entrar na universidade é apenas uma etapa. Permanecer nela durante anos, conciliando estudo, transporte, alimentação, materiais e outras despesas cotidianas pode ser um obstáculo tão grande quanto conquistar a vaga.

Quando estudar exige escolher entre trabalho e faculdade

Daniel de Oliveira Ezidio conhece essa dificuldade de perto. Indígena, filho de uma empregada doméstica e integrante de uma família de sete irmãos, ele cursa Medicina em período integral na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

Antes de receber o MS Supera, Daniel precisava estudar durante o dia e trabalhar à noite em uma pizzaria. Com a bolsa, passou a ter melhores condições para se dedicar à graduação.

Mas sua chegada à universidade acabou produzindo outra mudança dentro de casa. Daniel tornou-se o primeiro dos irmãos a ingressar no Ensino Superior — e decidiu que não queria permanecer sozinho nesse caminho.

“Logo quando eu entrei na universidade, minha mãe falou para Deus e o mundo. Nós somos sete filhos. Foi a realização de um grande sonho para a gente. Eu sempre falava para mim: sou o primeiro, mas não quero ser o último”, contou.

Hoje, uma de suas irmãs cursa Pedagogia e um irmão estuda História.

“Eles acabaram também entrando no Ensino Superior. Eu sempre incentivei, falei para eles: vamos estudar”, relatou.

A trajetória de Daniel mostra como uma política de permanência pode alcançar uma família para além do estudante que recebe diretamente o benefício. A bolsa não garante apenas recursos para continuar no curso: ao tornar possível a permanência de quem seria pressionado a escolher entre trabalho e universidade, pode também aproximar outros integrantes da família de uma realidade antes distante.

Transporte, cópias e a rotina de quem permanece

Na própria UFMS, Ariadne Mariana Rocha da Cunha também encontrou no MS Supera uma forma de manter o curso de Medicina.

Entre suas dificuldades estavam despesas com deslocamento até o estágio e materiais acadêmicos, como fotocópias. São gastos menores quando observados isoladamente, mas que se acumulam ao longo de um curso integral e pesam especialmente no orçamento de estudantes de baixa renda.

“O MS Supera entrou não só como uma ajuda financeira, mas como um motivo a mais para continuar. É a oportunidade de continuar e nos tornarmos profissionais melhores, mais dedicados. É um investimento humano”, afirmou.

É justamente nesse espaço entre a vaga conquistada e o diploma ainda distante que o programa procura atuar.

A estratégia adotada pela gestão Riedel busca reduzir a evasão provocada pela falta de recursos e criar condições para que estudantes consigam concluir a formação e chegar ao mercado de trabalho com maior autonomia.

Primeiro diploma da família

Em outra região de Campo Grande, o benefício acompanhou uma trajetória que já chegou à formatura.

Morador do bairro Los Angeles, na região do Anhanduizinho, Eurer Eduardo Ramos da Silva cresceu próximo ao antigo Lixão, estudou em escolas públicas e viu na educação uma possibilidade de mudar sua história.

Aos 23 anos, tornou-se o primeiro integrante da família a concluir o Ensino Superior. Formou-se em Direito com apoio do MS Supera.

“Tive uma grande oportunidade com o MS Supera, porém também uma grande dimensão de responsabilidade. Isso fez com que eu crescesse e conquistasse diversas oportunidades”, afirmou. “Tenho uma tremenda gratidão, um tremendo débito com o MS Supera e com a galera que me atendia.”

As histórias de Eurer, Ariadne, Daniel e Leonel são diferentes, mas se encontram num mesmo ponto: nenhuma delas terminou quando esses estudantes conquistaram uma vaga na universidade.

Para eles, permanecer significou conseguir pagar deslocamentos, materiais ou despesas básicas; reduzir a necessidade de trabalhar enquanto estudavam; retornar a um curso interrompido; ou simplesmente ganhar condições para atravessar os anos que separam o vestibular do diploma.

É nessa etapa menos visível da formação universitária que o MS Supera procura atuar. Ao ampliar o programa para 2,5 mil beneficiários, a gestão de Eduardo Riedel aposta na permanência estudantil como parte de uma política de oportunidades: não apenas abrir a porta da universidade, mas ajudar estudantes de baixa renda a permanecer dentro dela.

No caso de Leonel, essa distância já foi maior. Ele chegou a abandonar Medicina quando perdeu a mãe e os recursos ficaram escassos. Hoje, depois de retornar à universidade, passar por estágios e retomar a formação, consegue novamente olhar para o futuro que quase foi interrompido.

“Serei um médico e cuidarei de pessoas.”

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